Você está aquiTecnologias emergentes aplicadas à biblioteconomia / Reply to comment
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| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| tecnologias aplicadas.pdf | 39.36 KB |
Tipo de trabalho:
Trabalho apresentado em evento
Dados descritivos:
Semana de Biblioteconomia da UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre (2008)
Palavras-chave:
biblioteconomia; biblioteca 2.0; blogs; tecnologias; redes sociais; OPAC; catálogo online; RFID; design; microblog; wi fi; games; plugins
Resumo:
Transcrição da palestra sobre tecnologias emergentes aplicadas à biblioteconomia, ou as boas práticas da biblioteconomia, proferida por Moreno Barros durante a Semana de Biblioteconomia da UFRGS.
Full Text:
Semana de Biblioteconomia da UFRGS – 2008
Moreno Albuquerque de Barros
transcrição da palestra
PS. Muitas das falas deste texto foram roubadas dos ilustres Fabiano Caruso e Alex Lennine.
O título da palestra poderia ser “tecnologias emergentes aplicadas à biblio”, ou “boas práticas”. Mas simplesmente deixei como “possibilidades”.
Eu confesso que me sinto meio culpado e desmotivado a falar sobre tecnologias aplicadas à biblio, porque a gente não pode fugir da realidade. Sabemos que a maioria dos das bibliotecas está mais preocupada em se manter vivas e os bibliotecários preocupados em angariar recursos para adquirir livros, do que pensar em novas tecnologias.
Além disso, e eu não sei exatamente se esse é o problema do curso de vocês na UFRGS, mas na maioria das escolas no Brasil, a grade curricular não favorece uma vertente tecnológica da biblio. Em comparação com as disciplinas clássicas, as disciplinas de tecnologias são bastante reduzidas.
Ou seja, existe um círculo onde você não pode pensar nos serviços para os usuários (sejam eles de ordem tecnológica ou não), se você não possui o insumo básico que é a razão de ser da biblioteca.
E ao mesmo tempo, o que talvez seja apenas um reflexo da situação que o mercado se encontra, os estudantes, futuros profissionais, não são apresentados às possibilidades que as tecnologias oferecem para tornar o serviço bibliotecário mais simples, mais rápido.
É uma angústia lidar com esse dilema todos os dias, e é uma discussão bastante complexa, porque ela permeia diversas camadas da nossa área.
Quando se fala em tecnologias emergentes aplicadas à biblio, deve-se considerar desde verba financeira para adquirir tais tecnologias até um perfil médio do estudante de biblioteconomia ou do profissional da informação que não possui aptidão tecnológica, que talvez nunca tenha utilizado um computador.
Devemos levar todas essas coisas em consideração, antes de começar a falar sobre novas possibilidades dentro da biblioteconomia através do uso de tecnologias emergentes. E não estamos nem falando sobre defender uma biblioteconomia com base em tecnologias emergentes, mas só falar sobre as possibilidades de uso.
Então eu me sinto um pouco dentro de um potinho de vidro, onde eu diariamente converso com amigos bibliotecários que estão discutindo diversas formas de se aplicar novas tecnologias ao cotidiano do exercício profissional, mas eu sei que a maioria dos bibliotecários e dos estudantes não está nem aí sobre essas coisas que estão acontecendo.
Em comparação com os colegas de classe profissional, eu particularmente já não me considero um bibliotecário, porque eu tenho trabalhado nos últimos anos com coisas que tem bastante relação com a teoria clássica da biblioteconomia, mas que na prática, são totalmente diferentes do se executa na maioria das bibliotecas tradicionais.
E que pra mim são coisas extremamente relevantes, mas que pra eles simplesmente não faz sentido algum, por que: eles não compreendem a razão se de utilizar tecnologias emergentes, ou não podem usá-las por limitações tais como dinheiro, ou não tem interesse em usá-las por causa da barreira da fluência digital, de possuir habilidades tecnológicas ou até porque ainda não foram apresentados a essas tecnologias emergentes.
Pra ilustrar a complexidade de se considerar tecnologias emergentes aplicadas á biblioteconomia, temos o exemplo real de uma biblioteca comunitária que tinha pouca visitação, e decidiu alocar a verba de aquisição de novos livros para a compra de 5 computadores e um vídeo game Playstation. A partir de então, a biblioteca passou a ter um alto número de visitantes jovens que estavam ali especialmente pra utilizar o computador só pra entrar no Orkut e conversar no MSN, e jogar winning eleven no Playstation, e que eventualmente uma pequena parcela desses jovens, efetivamente pegava livros emprestados.
Ou seja, tem algum problema nisso? Qual é o problema? Qual é o real significado disso? O que isso representa pra biblioteca enquanto instituição, e pra biblioteconomia enquanto serviço?
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Eu já posso antecipar aqui que eu não vou entrar na discussão conceitual sobre tecnologias emergentes aplicadas à biblio porque o tema é complexo demais e a gente ia ficar aqui um mês discutindo sem chegar à conclusão nenhuma.
O objetivo dessa palestra é simplesmente mostrar que as tecnologias emergentes oferecem possibilidades de se construírem coisas relevantes dentro da área.
Mas eu estou totalmente distante de acreditar que ao sair daqui todos vocês vão se engajar em algum projeto inovador de tecnologia aplicada à biblio, porque apesar de o mote ser de que bastam apenas boas intenções para as coisas acontecerem, a gente sabe que só boas intenções não são o suficiente.
E eu não quero me mostrar pessimista. É exatamente o contrário disso. Eu estou aqui pra apresentar as possibilidade e as boas práticas. Mas no Brasil, elas são poucas, e eu acredito que a gente precisa de mais. Que as pessoas precisam fazer mais, explorar mais. Muitas das boas práticas vêm de fora, de países desenvolvidos. Então isso deve servir de incentivo. Além disso, existe um grupo de pessoas que são, ou um dia foram exatamente o que vocês são hoje, e que construíram coisas relevantes pra área.
Fica parecendo uma coisa mesmo de auto-ajuda, de que vocês podem fazer, de que é possível, mas é verdade.
A gente vai entender que a resposta simples e direta pra a questão de “por que usar tecnologias emergentes aplicadas à biblio”, que é uma resposta que pode até não ser a mais convincente, mas é a mais observável, é a de que as novas tecnologias estão estritamente relacionadas com as inovações recentes no campo da biblioteconomia.
A maioria das coisas “diferentes” que estão acontecendo na biblioteconomia tem a ver com tecnologias emergentes.
A gente ouve falar muito mais sobre processos de digitalização, softwares de automação, open Access, OPACs, sistemas de recuperação, SEO, web semântica, do que uma nova proposta para as leis de Ranganathan, a atualização da CDD, ou a nova edição do AACR. Que são coisas muito mais estáticas e significativas dentro da biblio, mas que não necessariamente representam uma alteração ou evolução dentro da área.
E a gente sabe normalmente que quem tem mais familiaridade com novas tecnologias, são os jovens. E vocês são jovens. Os alunos têm mais sensibilidade de perceber as lacunas, os buracos, porque na graduação você está lidando com todos os tópicos da biblioteconomia, e o aluno ainda não está contaminado com aquela coisa de pertencer a uma instituição, uma biblioteca e querer resolver os problemas somente daquele espaço. A gente quer salvar o mundo, e como a gente não tem vínculos ainda com espaços específicos, imaginamos que as nossas soluções podem servir pra diferentes situações.
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Uma palavra interessante que eu ouvi no mini curso em Curitiba, foi “despertar”, pois na verdade, o ideal seria que aqui durante a Semana de biblio eu desse um curso, mostrar as ferramentas na prática. Mas saber usar as ferramentas não é nem de longe mais importante do que entender o porquê de usá-las. Vocês precisam compreender a essência e depois, serão capazes de executar as coisas sozinhos. Então no decorrer da palestra eu vou apresentar algumas idéias e ferramentas, e a intenção é que essa conversa desperte em vocês algum tipo de interesse, para que depois vocês corram atrás dos conceitos, da discussão, das pessoas, das experiências.
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Pra conversa fluir, a gente precisa ter em mente, alguns conceitos básicos.
Se analisarmos algumas das iniciativas “progressistas” na biblioteconomia perceberemos uma ruptura. Está se deixando de lado o gerenciamento de acervos e novas dinâmicas para gestão do acesso, recuperação e disseminação da informação como modelo central do negócio e se construindo um modelo de organização centrado na experiência dos usuários. E isso tem sido realizado em grande escala graças às possibilidades de uso de tecnologias emergentes (softwares sociais).
É óbvio que a gente precisa deixar claro que a biblioteconomia não se trata de gestão de pessoas. O objetivo da biblio são pessoas e comunidades, mas os meios com que faz isso é através de serviços técnicos com objetos (informação e tecnologias - conteúdo e suportes).
Outro aspecto a ser notado é que é importante aos bibliotecários e demais profissionais da informação preocupados com as questões contemporâneas da área não somente adquirir habilidades para saber usar as novas tecnologias, mas também conceber métodos eficientes para repassar essa mesma habilidade aos usuários, tornando-os independentes tecnologicamente, criando assim uma cultura de disseminação da informação. Essa seria a essência da Fluência Digital.
O importante é não apenas saber como usar as ferramentas tecnológicas, mas também saber como construir coisas significativas com estas ferramentas. As pessoas que conseguem isso, nós podemos chamar de fluentes digitais.
Em Curitiba eu falei que independente de autoridade/arbitrariedade, as pessoas têm liberdade hoje - como não tinham antes, para conquistar os espaços que necessitam para usufruírem de seus próprios modelos de organização, e ainda, fazer isso sem a necessidade de intermediários.
E essa noção de liberdade e rompimento com a autoridade, tem bastante a ver com o uso de novas tecnologias e a postura dos estudantes de graduação.
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Eu decidi apresentar aqui dois tipos diferentes de interações entre pessoas, fazendo uso de tecnologias emergentes. Nós enquanto estudantes de biblioteconomia, comunicando com os nossos pares, e nós enquanto bibliotecários comunicando com nossos usuários.
Eu vou começar a mostrar as boas práticas, e principalmente quando chegar na parte das tecnologias entre bibliotecários e usuários, eu irei explicando as ferramentas enquanto apresento, e depois, ao final se tiverem alguma dúvida, explicarei de maneira mais detalhada.
Como eu falei, o objetivo da palestra é mostrar que as tecnologias emergentes oferecem possibilidades de se construírem coisas relevantes dentro da área.
Eu optei por aprofundar mais teoricamente sobre o assunto das interações discentes, porque acho que essa é uma boa oportunidade de mostrar o que os colegas de vocês estão fazendo por aí e refletir sobre os propósitos dessas interações.
GRADUANDOS
É interessante contar, que eu sempre participei dos encontros de estudantes da área, dos enebds, erebds, e a partir dos encontros eu me inseri em uma rede de comunicação entre estudantes de biblio, de pessoas que tinham afinidades, que estavam discutindo problemas dos cursos, e utilizando determinadas ferramentas pra construir coisas dentro da área.
Os encontros, os eventos, são os grandes momentos em que a gente “desperta” pras novidades, ver o que outras pessoas estão fazendo, estabelecer conexões. Que é exatamente o que a gente ta fazendo aqui.
Tiveram dois momentos que eu considero bastante importantes, o primeiro no enebd em Curitiba quando o Fabiano Caruso (UFSC) assumiu um dos mini cursos e depois em Recife no mini curso sobre repositórios digitais ministrado pelo Beto (Hebbert Farias, UnB). Ali se constituíram alguns laços que se estenderam e abriu a visão para as possibilidades que os alunos tinham nas mãos de fazerem coisas legais, sozinhos.
Depois de um tempo, eu conhecia bastante gente, muita gente me conheci, e eu fui entender como era a dinâmica dessas iniciativas. Como eram pares, graduandos de diferentes escolas do Brasil, as ferramentas utilizadas eram essencialmente de comunicação (mais do que outros tipos de aplicações).
Daí eu fiz uma série de entrevistas, e fui descobrindo um monte de coisas e as respostas apontavam para uma falta de visibilidade e espaço que promovesse a produção científica e informacional por parte dos alunos.
Os entraves presentes na estrutura acadêmica dificultam a participação dos estudantes em uma esfera que englobasse os alunos, os docentes e os profissionais da área.
Aí, essas iniciativas surgem em busca de uma solidificação entre os próprios discentes, construindo comunidades e colaborando entre si para a promoção da comunicação.
O mais importante foi notar, que o corpo discente recorre à construção desses sistemas com base em tecnologias emergentes. Era mais simples, mais barato. E fazem isso para se fazer ouvir dentro de sua esfera de educação e atuação.
Além disso, muita coisa ficou clara. Existe um abismo vasto entre o corpo docente e o discente, e o grande culpado, parece ser um perfil de formação baseado na autoridade, não na inovação, na diferença.
Por essa razão, os próprios estudantes não conseguem trabalhar colaborativamente. Isso cria uma cultura de atenção do superior, em que ascensão profissional e acadêmica está vinculada em cumprir com procedimentos e se associar com o “clube certo”. Ou seja, o perfil não é baseado na competência intelectual ou na méritocracia (do estudante), mas na autoridade hierárquica e histórica do comprometimento.
E as vítimas disso eram os alunos. A parcela de culpa recai sobre os estudantes quando eles, cooptados pelo sistema acadêmico, tendem a favorecer e prestigiar professores e “figurões” da área, deixando de lado seus colegas que produzem tanto quanto ou melhor que muitos acadêmicos.
Os sistemas concebidos por alunos enfrentam problemas de contribuição, onde os próprios alunos são lentos em reconhecer uma estrutura que foge aos padrões acadêmicos de publicação.
Mas por outro lado, somente um sistema nesses moldes de transmissão de informação é capaz de apresentar idéias que partem de uma inquietação da realidade do aluno de modo que ele consiga descrever a situação educacional no qual sua escola está passando, o que reflete na formação do indivíduo, seja profissional ou acadêmica.
As boas práticas mostraram que a viabilidade dessas iniciativas depende apenas de boas intenções e um pouco de domínio tecnológico para o gerenciamento técnico do sistema. É possível fazer algo com competência e relevante dentro da área, sem grandes estruturas, nem nomes famosos. Foram projetos iniciados por estudantes, que deram certo.
Dentro das boas práticas discentes fazendo uso de tecnologias emergentes, podemos citar:
RABCI http://infocultura.info/rabci
BSF http://www.bsf.org.br
Biblioteconomia de Babel http://bibbabel.wordpress.com
ExtraLibris http://extralibris.org
CA BieCa USP http://flickr.com/photos/cabieca
BIBLIOTECÁRIOS
Apesar do entusiasmo com as tecnologias da Web e com o que elas podem nos oferecer, o discurso é moderado. Pessoas que vestem ideologias e paradigmas em sua totalidade acabam por perder a capacidade de avaliação. Essa idéia de “emergente” em oposição à biblioteconomia “clássica” [hard core], dois tipos de cultura, não devem substituir uma a outra, mas sim coexistir, cada uma solucionando problemas específicos. É preciso ter a mente aberta, aceitar o novo e saber lidar com as novas tecnologias, e compreender que uma mudança de mentalidade nunca ocorre de um dia para outro.
Uma coisa é bastante clara: os fins importam mais do que os meios e a dinâmica informacional deve suprir necessidade das pessoas.
A fluência digital é fundamentalmente baseada em redes participativas sociais online. É aprendizagem global voltada para desenvolvimento local. Nesse nível de organização do conhecimento, forma-se um filtro humano de informações e as regras, os códigos, as máquinas e os computadores deixam de se tornar um "culto religioso", transformando-se novamente no que realmente são e sempre foram: meios que trabalham em função da necessidade informacional humana.
Em uma das conversas de email com o Fabiano Caruso ele argumentava que na era da abundância de informação é necessário estabelecer qual tipo de informação é importante para as pessoas. Com a abundância de informação, só disponibilizar o acesso aos livros e aos recursos já não é mais crítico. Isso porque a massa dos leitores não tem como qualificar e selecionar bem os recursos, baseados em seus interesses potenciais.
Mas ao mesmo tempo, o profissional é completamente incapaz de servir e agregar sentido sozinho. Então, o seu papel é mais em colaborar com os próprios usuários para que eles possam se tornar melhores filtros, e permitir que eles classifiquem e organizem.
Desta forma, os bibliotecários fazendo parte ativamente do processo de construção do conhecimento como colaboradores ativos. Ao invés daqueles, que apenas trabalham com livros e documentos, que são apenas informações registradas, sem sentido algum se descontextualizadas pela comunidade e pelos usuários.
De qualquer forma, no contexto de uma biblioteconomia centrada na experiência do usuário, ou em uma dinâmica informacional onde o compartilhamento é essencial para o controle da abundância, as autoridades são necessárias. Mas desta vez, em ambientes interativos, os gigantes podem ficar em evidência pela real demonstração de seu talento em comunicar e incentivar o aprendizado.
As boas práticas dos bibliotecários (ver slides)
http://slideshare.net/moreno













