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Desclassificação, desorganização e descategorização


Tipo de trabalho:

Trabalho apresentado em evento

Dados descritivos:

EREBD, Universidade Federal do Paraná, Curitiba (2008)

Palavras-chave:

organização do conhecimento; sistemas de classificação; tags

Resumo:

transcrição da palestra | Moreno Barros | X EREBD Sul | UFPR | 2008

Full Text:

Desclassificação, desorganização e descategorização

Esse título é apenas uma afronta, porque na realidade é exatamente o oposto disso. As possibilidades de organização são muito maiores hoje e serão ainda mais no futuro. [Não é a toa que entre as maiores empresa do mundo estão os sites de busca]

Eu bolei um trabalho sobre os modelos de organização do conhecimento, ia falar de Heidegger, Wittgenstein, ia abafar no erebd. Mas depois que eu terminei não estava conseguindo entender nada. Então resolvi falar sobre coisas mais simples e úteis. E enquanto pensava sobre o que ia apresentar troquei alguns emails com os amigos bibliotecários [de onde eu roubei algumas falas, dos ilustres Fabiano Caruso, Alex Lennine, Gustavo Henn, Roosewelt Lins, Leandro Cianconi e Alessandra Gomes], e o tópico em questão era a desordem, desclassificação, descategorização.

Gustavo Henn me mandou um email que dizia:

[Gustavo] Tem uma frase que eu gosto muito, que é "toda ordem gera várias desordens" não sei de quem é, mas acho que tu podes usar em algum momento da tua apresentação. A nossa vantagem é que podemos escolher nossa própria ordem, sem que necessariamente a desordem resultante daí atrapalhe as ordens dos outros. Mas aí já tá ficando confuso..

[Moreno] Entendi o que quis dizer. É uma boa ilustração para a idéia de que no mundo físico "o dono da informação detêm o poder sobre a organização dessa informação".

O dono da informação detém poder sobre o controle dessa informação.

[Gustavo] Exato. Se eu escolho organizar a biblioteca por autor, ela estará desorganizada por título, por assunto, por cores, enfim. É isso aí, o dono da informação faz o que quer.

[Moreno] Esse é um exemplo para a restrição física, da arbitrariedade binária.

É um problema e vamos ver do que se trata.

INTRO - PROBLEMA

Nós somos muito bons em organizar coisas físicas, com uma experiência de 10 mil anos, e somos também excelentes em organizar idéias e conhecimento. Os princípios que nós utilizamos para ordenar, categorizar, classificar, para que possamos organizar as coisas, foram desenvolvidos para serem aplicados no mundo real.

A CDD, por exemplo, quando foi criada preocupada com a melhor utilização do espaço físico da biblioteca. Preocupada que a relação entre armazenamento e recuperação fosse dinâmica.

Dewey não teve escolha senão propor um modo de organização universal sobre a informação e o conhecimento. Um modelo que refletia o homem que era em seu tempo e sabendo que não agradaria a todos, mas tentava agradar o maior número de pessoas possível.

Impenetrabilidade

No mundo físico, você não pode ter duas coisas ocupando o mesmo espaço. É o primeiro princípio que guia a nossa organização física. Todas as coisas precisam se encaixar em algum lugar, e só podem ser encaixadas em um único lugar. O que torna a ordem excludente.

Limitações do mundo físico

Você pode ordenar as suas calcinhas no armário por cor, por dia da semana, por ocasião, mas de qualquer forma, elas só podem ocupar uma única dessas pilhas.

É uma infelicidade que você tenha que limitar as possibilidades de organização (dentro do seu pensamento) em razão da disponibilidade física.

O resultado é um condicionamento binário, onde você tem que decidir onde os objetos se encaixam, em um lugar ou outro.

No mundo físico não existe outra saída que não a arbitrariedade, porque você está lidando com objetos físicos, que se devem ser ordenados, então precisam se encaixar em algum lugar.

Arbitrariedade

Uma conseqüência política em ter que se lidar com a distribuição do espaço físico, é que alguém tem que tomar a decisão de colocar as coisas em seu devido lugar e essa decisão concede à pessoa o poder de autoridade.

Os editores precisam tomar a decisão do que deve entrar na página de um jornal, mas eles jamais podem tomar uma decisão que agrade a todos.

Você pode ter 500 excelentes artigos científicos, mas o editor tem que tomar a decisão correta de escolher somente aqueles que vão compor o volume que tem a limitação de, digamos, 70 páginas.

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Quando me convidaram pra dar a palestra no erebd, eu sugeri que eles escolhessem um tema pra eu apresentar, e como no final ficou a meu critério, eu decidi falar sobre os tópicos que o David Weinberger usa no livro "A nova desordem digital", que era o que estava me entretendo no momento.

David Weinberger – A nova desordem digital

O livro trata de todas as questões acerca dos modelos de organização do conhecimento e da informação, e em algum momento, profetiza que existe uma nova ordem, que é baseada na miscelânea, e que é uma modelo de organização mais abrangente quando comparada ao modelo de organização física.

O que ele explica sobre a miscelânea é o seguinte:

Nós gostamos de árvores, de organogramas, mas existe sempre uma sessão em que colocamos todas as coisas que não se encaixam em nenhuma outra categoria.

Ao longo dos anos nós acreditamos que o conhecimento termina quando começa a miscelânea. Visão Aristotélica de que se você não pode definir/categorizar uma coisa, então você não tem conhecimento sobre ela.

Em uma estrutura física, se a sessão correspondente à miscelânea começa a se tornar grande demais, então o seu esquema de organização é falho/imperfeito.

Mas agora, no mundo digital, estamos descobrindo que o conhecimento começa na miscelânea.

Miscelânea

O que o livro sugere é que, o que está acontecendo online, a sessão da miscelânea começa a dominar o quadro organizacional, e isso é uma coisa saudável e uma boa estratégia.

Agora, um ponto importante do livro, e que eu achei conveniente trazer pra cá, é que em algum momento da sua argumentação, Weinberger defende a idéia de que os princípios digitais de organização invalidam os princípios físicos de organização.

Princípios digitais de organização invalidam princípios físicos de organização

Quando tudo se torna digital, você acaba com a necessidade de se ter cada coisa em seu lugar. No mundo físico, na biblioteca física, duas pessoas não podem acessar e ler um único livro do acervo ao mesmo tempo. Mas se os livros estão digitalizados, você pode ter infinitas pessoas acessando e lendo o livro simultaneamente.

O modelo de organização do mundo físico é baseado na idéia de que cada coisa possui o seu lugar e um único lugar apenas. Se no mundo digital, essa coisa pode estar simultaneamente em vários lugares, então o modelo de organização físico já não se aplica. Quando tudo se torna digital, o modelo de organização passar a ser includente, e não excludente como era na organização física.

Aí eu fiquei pensando, poxa é verdade. Mas peraí. O cara fala que os princípios digitais de organização invalidam princípios físicos de organização. Será que é isso mesmo?

No mundo físico eu tenho um livro sobre “Adoração”, e eu como bibliotecário preciso definir em qual seção da biblioteca ele ficará: Espiritualidade ou Distúrbios Mentais, por exemplo.

Se eu tenho esse livro digitalizado, no sistema de organização digital da biblioteca eu posso designar uma cópia à seção de espiritualidade, e outra cópia à seção de distúrbios mentais. É uma solução simples e a custo zero. Não existe razão porque eu NÃO possa ou deva fazer, então eu simplesmente posso ter quantas réplicas forem necessárias e assim quebrar a lógica de organização física de que uma coisa só pode estar em um único lugar.

Mas então tem alguma coisa errada aí.

Um possível problema no livro do Weinberger é que ele se justifica sempre na dimensão espacial. A idéia de que os princípios digitais de organização invalidam princípios físicos de organização, a meu ver, não vale como uma teoria, porque não é só porque no mundo digital a replicação é muito mais simples, fácil e barata, que esse processo invalida os modos de organização do mundo físico.

Uma biblioteca pode ter zilhões de remissivas. É difícil, improvável, mas pode ter, e aí? Eu posso ter 5 livros iguais e colocá-los em diferentes estantes na biblioteca, diferentes seções de classificação. Que é exatamente a mesma coisa do que ter 5 réplicas de uma mesma foto no hd, dentro de pastas diferentes.

A partir daí eu tentei encontrar um argumento realmente bom que confirmasse que os princípios digitais invalidam os princípios físicos. Ou seja...

Em termos de organização, de princípios de organização, o que é feito em um acervo digital, que é impossível de ser feito em uma biblioteca ou acervo físico?

Alguém consegue responder?

Por enquanto, a resposta é não. Desconsiderando as limitações físicas e capacidades de replicação, até aonde a gente chegou, a organização no mundo digital é reflexo idêntico da organização no mundo físico.

Vamos fazer um exercício de imaginação então.

Chegando a conclusão de que a organização no mundo digital é idêntica á do mundo físico, eu fiquei muito tentado a fazer uma comparação.

Vamos pegar o Amazon, que é um dos serviços mais bem conceituados na internet, e predecessor de muitos conceitos que compõem aquilo que as pessoas chamam de web 2.0.

Se a organização digital e física são iguais, então porque o Amazon parece ser um modelo de organização mais eficiente que a biblioteca pública mais próxima da sua casa?

Não estou comparando uma livraria online com uma biblioteca física, estou comparando as propriedades de armazenamento e recuperação de objetos físicos, que é o que as duas entidades têm em comum.

O usuário entra na biblioteca com uma demanda. Ele recorre ao catálogo para encontrar o livro que deseja, ou apenas navega até encontrar aquilo que ele não sabe exatamente o que procura.

Amazon

A classificação é facetada, a navegação é por árvores. Funciona no Amazon exatamente como em uma biblioteca.

Não precisamos nos alongar na comparação, e nem quero que a comparação seja furada. São entidades completamente distintas e eu estou apenas focando um ponto específico.

Mas onde eu queria chegar com esse exemplo é que,

1.Não há nada que é feito no Amazon, em termos de organização, que não possa ser feito em uma biblioteca física, mesmo sem quaisquer recursos digitais.

2. Entretanto, a experiência como usuário em uma livraria ou biblioteca digital [sob determinado ponto de vista] é muito mais agradável do que em uma biblioteca física. E isto está relacionado com as limitações mencionadas anteriormente.

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Até aqui falamos sobre as limitações dos sistemas de organização do mundo físico, das propriedades que diferem a organização do mundo físico e do mundo digital, e que excluindo características específicas, como a organização no mundo físico é idêntica à organização no mundo digital.

Daí, pulamos para um exercício de imaginação para ilustrar como que, em função das limitações da organização do mundo físico, e das facilidades de organização no mundo digital, a “usabilidade” dos modelos de organização digitais parece ser mais agradável.

Em outras palavras, uma organização digital é muito menos limitada do que uma organização física.

Um novo modelo de organização

Existia um problema de ordem física, e uma solução de ordem digital. Vimos que os princípios de organização em um não invalidam os princípios no outro, mas que algumas das limitações do mundo físico, deixam de existir quando as coisas são digitalizadas.

Agora eu quero que vocês arquivem tudo o que foi falado até aqui. Que guardem dentro da miscelânea da cabeça de vocês.

Vamos ter em mente a idéia de que existe uma tendência global de digitalização, de que mais coisas estão sendo feitas, criadas e disponibilizadas no mundo digital e que de algum modo, os serviços digitais de armazenamento e recuperação são mais atraentes do que os físicos [não estou defendendo nada aqui, vamos apenas usar isso como uma premissa para a discussão. E vamos ver aonde podemos chegar].

Sabemos por exemplo que hoje a maioria das pessoas recorre ao Google, ao Google Scholar para ler um artigo científico, em vez de ir até a biblioteca. São exemplos polarizados, não estou querendo profetizar nada, nem insinuar que as bibliotecas ou bibliotecas serão extintos. Mas ilustram bem a suposição de que, bem ou mal, a organização digital possui vantagens sobre a organização física.

Agora, é o seguinte. Qual é realmente o grande lance da nova ordem digital? Por que ela é mais atraente?

E aqui ocorre uma ruptura. Porque pra esse tópico caminhar a gente tem que deixar de lado o gerenciamento de acervos como modelo central do negócio [do lance, da sacada]. Senão a gente vai perder a oportunidade de perceber simplesmente que o novo modelo de negócios/organização é centrado na experiência dos usuários, e não em novas dinâmicas para gestão do acesso, recuperação e disseminação da informação.

A mudança

O grande lance da nova ordem digital é que ela permite que cada pessoa construa o seu próprio sistema de organização.

Isso representa uma grande inovação porque como nós vimos no começo, [1] isso era praticamente inviável no mundo físico, e [2] no mundo digital, o dono da informação [o curador] não mais detém o poder sobre a organização dessa informação. Os usuários [controlam] possuem poder sobre a organização.

Os usuários [controlam] possuem poder sobre a organização.

Os donos da informação ainda podem desejar oferecer uma categorização padrão, um ponto de partida, mas essa não é mais a única, ou melhor, categorização disponível.

Os documentos digitais geralmente estão atrelados ao seu correspondente original físico, e possuem uma classificação/organização aplicada à biblioteca física. Mas a partir do momento em que está no mundo digital, inúmeras conexões podem ser feitas.

Independente de autoridade/arbitrariedade, as pessoas têm liberdade hoje - como não tinham antes no mundo físico - para conquistar os espaços que necessitam para usufruírem de seus próprios modelos organizacionais, e ainda, fazer isso sem a necessidade de intermediários.

Um exemplo de um modelo organizacional customizável, é que no mundo digital, você pode criar uma estante com os livros de seu interesse dentro do acervo digital. Mas você não pode chegar numa biblioteca física e reorganizar as estantes conforme seu interesse.

Lembra que eu falei que estava tentado a comparar o Amazon com uma biblioteca física? O que Amazon vem fazendo e as bibliotecas não fazem [logicamente dentro das suas limitações físico, virtuais e tecnológicas], é o estímulo à conversação, a possibilidade de saber o que outras pessoas andaram comprando, comentando, avaliando. Existe um fator de customização. De atendimento personalizado.

Existe uma questão técnica importante é que desta vez você não tem que aprender sobre o sistema. No mundo digital, o sistema aprende sobre você.

Na nova ordem digital nós podemos ter múltiplas possibilidades de organização. Algumas vezes nós vamos querer auxílio de experts, outras vezes a gente só quer o que for mais rápido, às vezes os mais populares, às vezes os mais raros, às vezes vamos querer navegar uma árvore no estilo de Aristóteles ou as estantes em CDD. Então, ceder o controle sobre a organização da informação não significa que a organização se torna irrelevante. Os bibliotecários nesse caso podem ser excelentes contribuidores sem ter que estar necessariamente no controle da coleção.

As autoridades são e sempre serão necessárias. Mas desta vez, em ambientes interativos, os gigantes podem ficar em evidência pela real demonstração de seu talento em comunicar e incentivar o aprendizado.

É preciso deixar claro que a biblioteconomia não se trata de gestão de pessoas. O objetivo pode ser pessoas e comunidades, mas os meios com que faz isso é através de serviços técnicos com objetos (informação e tecnologias - conteúdo e suportes), não pessoas.

Mas a internet em princípio não é sobre informação, e sim sobre conexões sociais. Agora nós temos pessoas que por razões profundamente sociais querem dividir o mundo de uma maneira que faça sentido para elas e conectar com outras pessoas que fazem o mesmo. Daqui a 5 anos, a maioria das pessoas terá milhares de fotos nos seus hds, e não vão se preocupar com taxonomias, e sim como as coisas se organizam de maneira significante em suas vidas. E as ferramentas que nós fornecemos pra que eles encontrem as coisas significantes é o que vai determinar bastante coisa no futuro.

Boas práticas da biblioteconomia centrada na experiência do usuário
(ver slides http://slideshare.net/moreno)

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Veja também

  • Semana de Biblioteconomia da UFRGS – 2008
    Moreno Albuquerque de Barros
    transcrição da palestra

    PS. Muitas das falas deste texto foram roubadas dos ilustres Fabiano Caruso e Alex Lennine.

    O título da palestra poderia ser “tecnologias emergentes aplicadas à biblio”, ou “boas práticas”. Mas simplesmente deixei como “possibilidades”.

    Eu confesso que me sinto meio culpado e desmotivado a falar sobre tecnologias aplicadas à biblio, porque a gente não pode fugir da realidade. Sabemos que a maioria dos das bibliotecas está mais preocupada em se manter vivas e os bibliotecários preocupados em angariar recursos para adquirir livros, do que pensar em novas tecnologias.

    Além disso, e eu não sei exatamente se esse é o problema do curso de vocês na UFRGS, mas na maioria das escolas no Brasil, a grade curricular não favorece uma vertente tecnológica da biblio. Em comparação com as disciplinas clássicas, as disciplinas de tecnologias são bastante reduzidas.

    Ou seja, existe um círculo onde você não pode pensar nos serviços para os usuários (sejam eles de ordem tecnológica ou não), se você não possui o insumo básico que é a razão de ser da biblioteca.

    E ao mesmo tempo, o que talvez seja apenas um reflexo da situação que o mercado se encontra, os estudantes, futuros profissionais, não são apresentados às possibilidades que as tecnologias oferecem para tornar o serviço bibliotecário mais simples, mais rápido.

    É uma angústia lidar com esse dilema todos os dias, e é uma discussão bastante complexa, porque ela permeia diversas camadas da nossa área.

    Quando se fala em tecnologias emergentes aplicadas à biblio, deve-se considerar desde verba financeira para adquirir tais tecnologias até um perfil médio do estudante de biblioteconomia ou do profissional da informação que não possui aptidão tecnológica, que talvez nunca tenha utilizado um computador.

    Devemos levar todas essas coisas em consideração, antes de começar a falar sobre novas possibilidades dentro da biblioteconomia através do uso de tecnologias emergentes. E não estamos nem falando sobre defender uma biblioteconomia com base em tecnologias emergentes, mas só falar sobre as possibilidades de uso.

    Então eu me sinto um pouco dentro de um potinho de vidro, onde eu diariamente converso com amigos bibliotecários que estão discutindo diversas formas de se aplicar novas tecnologias ao cotidiano do exercício profissional, mas eu sei que a maioria dos bibliotecários e dos estudantes não está nem aí sobre essas coisas que estão acontecendo.

    Em comparação com os colegas de classe profissional, eu particularmente já não me considero um bibliotecário, porque eu tenho trabalhado nos últimos anos com coisas que tem bastante relação com a teoria clássica da biblioteconomia, mas que na prática, são totalmente diferentes do se executa na maioria das bibliotecas tradicionais.

    E que pra mim são coisas extremamente relevantes, mas que pra eles simplesmente não faz sentido algum, por que: eles não compreendem a razão se de utilizar tecnologias emergentes, ou não podem usá-las por limitações tais como dinheiro, ou não tem interesse em usá-las por causa da barreira da fluência digital, de possuir habilidades tecnológicas ou até porque ainda não foram apresentados a essas tecnologias emergentes.

    Pra ilustrar a complexidade de se considerar tecnologias emergentes aplicadas á biblioteconomia, temos o exemplo real de uma biblioteca comunitária que tinha pouca visitação, e decidiu alocar a verba de aquisição de novos livros para a compra de 5 computadores e um vídeo game Playstation. A partir de então, a biblioteca passou a ter um alto número de visitantes jovens que estavam ali especialmente pra utilizar o computador só pra entrar no Orkut e conversar no MSN, e jogar winning eleven no Playstation, e que eventualmente uma pequena parcela desses jovens, efetivamente pegava livros emprestados.

    Ou seja, tem algum problema nisso? Qual é o problema? Qual é o real significado disso? O que isso representa pra biblioteca enquanto instituição, e pra biblioteconomia enquanto serviço?

    --

    Eu já posso antecipar aqui que eu não vou entrar na discussão conceitual sobre tecnologias emergentes aplicadas à biblio porque o tema é complexo demais e a gente ia ficar aqui um mês discutindo sem chegar à conclusão nenhuma.

    O objetivo dessa palestra é simplesmente mostrar que as tecnologias emergentes oferecem possibilidades de se construírem coisas relevantes dentro da área.

    Mas eu estou totalmente distante de acreditar que ao sair daqui todos vocês vão se engajar em algum projeto inovador de tecnologia aplicada à biblio, porque apesar de o mote ser de que bastam apenas boas intenções para as coisas acontecerem, a gente sabe que só boas intenções não são o suficiente.

    E eu não quero me mostrar pessimista. É exatamente o contrário disso. Eu estou aqui pra apresentar as possibilidade e as boas práticas. Mas no Brasil, elas são poucas, e eu acredito que a gente precisa de mais. Que as pessoas precisam fazer mais, explorar mais. Muitas das boas práticas vêm de fora, de países desenvolvidos. Então isso deve servir de incentivo. Além disso, existe um grupo de pessoas que são, ou um dia foram exatamente o que vocês são hoje, e que construíram coisas relevantes pra área.

    Fica parecendo uma coisa mesmo de auto-ajuda, de que vocês podem fazer, de que é possível, mas é verdade.

    A gente vai entender que a resposta simples e direta pra a questão de “por que usar tecnologias emergentes aplicadas à biblio”, que é uma resposta que pode até não ser a mais convincente, mas é a mais observável, é a de que as novas tecnologias estão estritamente relacionadas com as inovações recentes no campo da biblioteconomia.

    A maioria das coisas “diferentes” que estão acontecendo na biblioteconomia tem a ver com tecnologias emergentes.

    A gente ouve falar muito mais sobre processos de digitalização, softwares de automação, open Access, OPACs, sistemas de recuperação, SEO, web semântica, do que uma nova proposta para as leis de Ranganathan, a atualização da CDD, ou a nova edição do AACR. Que são coisas muito mais estáticas e significativas dentro da biblio, mas que não necessariamente representam uma alteração ou evolução dentro da área.

    E a gente sabe normalmente que quem tem mais familiaridade com novas tecnologias, são os jovens. E vocês são jovens. Os alunos têm mais sensibilidade de perceber as lacunas, os buracos, porque na graduação você está lidando com todos os tópicos da biblioteconomia, e o aluno ainda não está contaminado com aquela coisa de pertencer a uma instituição, uma biblioteca e querer resolver os problemas somente daquele espaço. A gente quer salvar o mundo, e como a gente não tem vínculos ainda com espaços específicos, imaginamos que as nossas soluções podem servir pra diferentes situações.

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    Uma palavra interessante que eu ouvi no mini curso em Curitiba, foi “despertar”, pois na verdade, o ideal seria que aqui durante a Semana de biblio eu desse um curso, mostrar as ferramentas na prática. Mas saber usar as ferramentas não é nem de longe mais importante do que entender o porquê de usá-las. Vocês precisam compreender a essência e depois, serão capazes de executar as coisas sozinhos. Então no decorrer da palestra eu vou apresentar algumas idéias e ferramentas, e a intenção é que essa conversa desperte em vocês algum tipo de interesse, para que depois vocês corram atrás dos conceitos, da discussão, das pessoas, das experiências.

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    Pra conversa fluir, a gente precisa ter em mente, alguns conceitos básicos.

    Se analisarmos algumas das iniciativas “progressistas” na biblioteconomia perceberemos uma ruptura. Está se deixando de lado o gerenciamento de acervos e novas dinâmicas para gestão do acesso, recuperação e disseminação da informação como modelo central do negócio e se construindo um modelo de organização centrado na experiência dos usuários. E isso tem sido realizado em grande escala graças às possibilidades de uso de tecnologias emergentes (softwares sociais).

    É óbvio que a gente precisa deixar claro que a biblioteconomia não se trata de gestão de pessoas. O objetivo da biblio são pessoas e comunidades, mas os meios com que faz isso é através de serviços técnicos com objetos (informação e tecnologias - conteúdo e suportes).

    Outro aspecto a ser notado é que é importante aos bibliotecários e demais profissionais da informação preocupados com as questões contemporâneas da área não somente adquirir habilidades para saber usar as novas tecnologias, mas também conceber métodos eficientes para repassar essa mesma habilidade aos usuários, tornando-os independentes tecnologicamente, criando assim uma cultura de disseminação da informação. Essa seria a essência da Fluência Digital.

    O importante é não apenas saber como usar as ferramentas tecnológicas, mas também saber como construir coisas significativas com estas ferramentas. As pessoas que conseguem isso, nós podemos chamar de fluentes digitais.

    Em Curitiba eu falei que independente de autoridade/arbitrariedade, as pessoas têm liberdade hoje - como não tinham antes, para conquistar os espaços que necessitam para usufruírem de seus próprios modelos de organização, e ainda, fazer isso sem a necessidade de intermediários.

    E essa noção de liberdade e rompimento com a autoridade, tem bastante a ver com o uso de novas tecnologias e a postura dos estudantes de graduação.

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    Eu decidi apresentar aqui dois tipos diferentes de interações entre pessoas, fazendo uso de tecnologias emergentes. Nós enquanto estudantes de biblioteconomia, comunicando com os nossos pares, e nós enquanto bibliotecários comunicando com nossos usuários.

    Eu vou começar a mostrar as boas práticas, e principalmente quando chegar na parte das tecnologias entre bibliotecários e usuários, eu irei explicando as ferramentas enquanto apresento, e depois, ao final se tiverem alguma dúvida, explicarei de maneira mais detalhada.

    Como eu falei, o objetivo da palestra é mostrar que as tecnologias emergentes oferecem possibilidades de se construírem coisas relevantes dentro da área.

    Eu optei por aprofundar mais teoricamente sobre o assunto das interações discentes, porque acho que essa é uma boa oportunidade de mostrar o que os colegas de vocês estão fazendo por aí e refletir sobre os propósitos dessas interações.

    GRADUANDOS

    É interessante contar, que eu sempre participei dos encontros de estudantes da área, dos enebds, erebds, e a partir dos encontros eu me inseri em uma rede de comunicação entre estudantes de biblio, de pessoas que tinham afinidades, que estavam discutindo problemas dos cursos, e utilizando determinadas ferramentas pra construir coisas dentro da área.

    Os encontros, os eventos, são os grandes momentos em que a gente “desperta” pras novidades, ver o que outras pessoas estão fazendo, estabelecer conexões. Que é exatamente o que a gente ta fazendo aqui.

    Tiveram dois momentos que eu considero bastante importantes, o primeiro no enebd em Curitiba quando o Fabiano Caruso (UFSC) assumiu um dos mini cursos e depois em Recife no mini curso sobre repositórios digitais ministrado pelo Beto (Hebbert Farias, UnB). Ali se constituíram alguns laços que se estenderam e abriu a visão para as possibilidades que os alunos tinham nas mãos de fazerem coisas legais, sozinhos.

    Depois de um tempo, eu conhecia bastante gente, muita gente me conheci, e eu fui entender como era a dinâmica dessas iniciativas. Como eram pares, graduandos de diferentes escolas do Brasil, as ferramentas utilizadas eram essencialmente de comunicação (mais do que outros tipos de aplicações).

    Daí eu fiz uma série de entrevistas, e fui descobrindo um monte de coisas e as respostas apontavam para uma falta de visibilidade e espaço que promovesse a produção científica e informacional por parte dos alunos.

    Os entraves presentes na estrutura acadêmica dificultam a participação dos estudantes em uma esfera que englobasse os alunos, os docentes e os profissionais da área.

    Aí, essas iniciativas surgem em busca de uma solidificação entre os próprios discentes, construindo comunidades e colaborando entre si para a promoção da comunicação.

    O mais importante foi notar, que o corpo discente recorre à construção desses sistemas com base em tecnologias emergentes. Era mais simples, mais barato. E fazem isso para se fazer ouvir dentro de sua esfera de educação e atuação.

    Além disso, muita coisa ficou clara. Existe um abismo vasto entre o corpo docente e o discente, e o grande culpado, parece ser um perfil de formação baseado na autoridade, não na inovação, na diferença.

    Por essa razão, os próprios estudantes não conseguem trabalhar colaborativamente. Isso cria uma cultura de atenção do superior, em que ascensão profissional e acadêmica está vinculada em cumprir com procedimentos e se associar com o “clube certo”. Ou seja, o perfil não é baseado na competência intelectual ou na méritocracia (do estudante), mas na autoridade hierárquica e histórica do comprometimento.

    E as vítimas disso eram os alunos. A parcela de culpa recai sobre os estudantes quando eles, cooptados pelo sistema acadêmico, tendem a favorecer e prestigiar professores e “figurões” da área, deixando de lado seus colegas que produzem tanto quanto ou melhor que muitos acadêmicos.

    Os sistemas concebidos por alunos enfrentam problemas de contribuição, onde os próprios alunos são lentos em reconhecer uma estrutura que foge aos padrões acadêmicos de publicação.

    Mas por outro lado, somente um sistema nesses moldes de transmissão de informação é capaz de apresentar idéias que partem de uma inquietação da realidade do aluno de modo que ele consiga descrever a situação educacional no qual sua escola está passando, o que reflete na formação do indivíduo, seja profissional ou acadêmica.

    As boas práticas mostraram que a viabilidade dessas iniciativas depende apenas de boas intenções e um pouco de domínio tecnológico para o gerenciamento técnico do sistema. É possível fazer algo com competência e relevante dentro da área, sem grandes estruturas, nem nomes famosos. Foram projetos iniciados por estudantes, que deram certo.

    Dentro das boas práticas discentes fazendo uso de tecnologias emergentes, podemos citar:

    RABCI http://infocultura.info/rabci
    BSF http://www.bsf.org.br
    Biblioteconomia de Babel http://bibbabel.wordpress.com
    ExtraLibris http://extralibris.org
    CA BieCa USP http://flickr.com/photos/cabieca

    BIBLIOTECÁRIOS

    Apesar do entusiasmo com as tecnologias da Web e com o que elas podem nos oferecer, o discurso é moderado. Pessoas que vestem ideologias e paradigmas em sua totalidade acabam por perder a capacidade de avaliação. Essa idéia de “emergente” em oposição à biblioteconomia “clássica” [hard core], dois tipos de cultura, não devem substituir uma a outra, mas sim coexistir, cada uma solucionando problemas específicos. É preciso ter a mente aberta, aceitar o novo e saber lidar com as novas tecnologias, e compreender que uma mudança de mentalidade nunca ocorre de um dia para outro.

    Uma coisa é bastante clara: os fins importam mais do que os meios e a dinâmica informacional deve suprir necessidade das pessoas.

    A fluência digital é fundamentalmente baseada em redes participativas sociais online. É aprendizagem global voltada para desenvolvimento local. Nesse nível de organização do conhecimento, forma-se um filtro humano de informações e as regras, os códigos, as máquinas e os computadores deixam de se tornar um "culto religioso", transformando-se novamente no que realmente são e sempre foram: meios que trabalham em função da necessidade informacional humana.

    Em uma das conversas de email com o Fabiano Caruso ele argumentava que na era da abundância de informação é necessário estabelecer qual tipo de informação é importante para as pessoas. Com a abundância de informação, só disponibilizar o acesso aos livros e aos recursos já não é mais crítico. Isso porque a massa dos leitores não tem como qualificar e selecionar bem os recursos, baseados em seus interesses potenciais.

    Mas ao mesmo tempo, o profissional é completamente incapaz de servir e agregar sentido sozinho. Então, o seu papel é mais em colaborar com os próprios usuários para que eles possam se tornar melhores filtros, e permitir que eles classifiquem e organizem.

    Desta forma, os bibliotecários fazendo parte ativamente do processo de construção do conhecimento como colaboradores ativos. Ao invés daqueles, que apenas trabalham com livros e documentos, que são apenas informações registradas, sem sentido algum se descontextualizadas pela comunidade e pelos usuários.

    De qualquer forma, no contexto de uma biblioteconomia centrada na experiência do usuário, ou em uma dinâmica informacional onde o compartilhamento é essencial para o controle da abundância, as autoridades são necessárias. Mas desta vez, em ambientes interativos, os gigantes podem ficar em evidência pela real demonstração de seu talento em comunicar e incentivar o aprendizado.

    As boas práticas dos bibliotecários (ver slides)
    http://slideshare.net/moreno

  • 1. INTRODUÇÃO

    O objetivo foi fazer uma descrição geral de cinco bibliotecas comunitárias e a atuação das mesmas em prol de seus usuários. As unidades foram selecionadas pela proximidade do pesquisador com os responsáveis pelas bibliotecas.
    A justificativa deste trabalho está relacionada a dois fatos. O primeiro se relaciona com o desejo de conhecer mais esse tipo de biblioteca, anseio de um grupo de habitantes de um determinado lugar. O interesse em conhecer e verificar se atende a seus usuários. E ainda verificar se a biblioteca comunitária pode substituir a biblioteca pública e a biblioteca escolar.
    A metodologia utilizada para fundamentar o tema escolhido foi: revisão de literatura; acessada em suportes como livros, periódicos documentos eletrônicos, sobre biblioteca comunitária e entrevista com as pessoas que atuam nas bibliotecas. A entrevista explorou dados como: ORIGEM, DESIGNAÇÃO, OBJETIVOS, ESPAÇO FÍSICO, ACERVO, USUÁRIOS, SERVIÇOS E PRODUTOS, RECURSOS: MATERIAIS; FINANCEIROS E HUMANOS e FUNCIONAMENTO. As questões para a entrevista foram formuladas a partir das referencias bibliográficas utilizadas.
    Espera-se que este pequeno trabalho sirva apenas como gerador de um serviço bibliotecário útil, capaz de ser respeitado, conhecido e apoiado. Um serviço que ultrapasse a imagem da biblioteca como local só para os livros e se modifique sempre, refletindo a vontade social.

    2. BIBLIOTECAS COMUNITÁRIAS

    Na visão de Gil, Trautman e Gay (1973, p. 26), biblioteca comunitária é aquela de caráter popular e livre que presta serviço aos habitantes de uma localidade, distrito ou região. É sustentada com fundos governamentais ou da própria comunidade.
    A biblioteca comunitária surge do desejo de uma comunidade em querer uma biblioteca próxima à sua casa. Esta necessidade de obter informação e lazer e não ter que recorrer ao centro da cidade para usufruir da biblioteca. Deve-se levar em consideração quanto a criação a distância. Uma vez que tem-se de percorrer muito para ir a uma biblioteca em qualquer cidade do Brasil. O que se percebe é um verdadeiro isolamento das comunidades marginais aos centros urbanos no que diz respeito ao acesso às instituições de cultura em especial a biblioteca.
    Foram criadas como iniciativa de um indivíduo ou grupo de pessoas ligadas à comunidade. Promovem o acesso ao livro, à leitura e a informação em geral de interesse para toda a população.
    A biblioteca nas periferias nasce reflexo do grupo que tem no espaço dela uma identidade. Vêm somar-se à igreja, à escola e às associações como local de interação social, perpetuação da cultura local e espaço de troca. Com a alcunha de biblioteca comunitária o que se pretende é que ela seja comum a todos no seu uso e na sua construção.

    As bibliotecas comunitárias seguem a missão da biblioteca pública, que devem promover o acesso aos registros do conhecimento, o estímulo à leitura e sua interpretação através de atividades como a hora do conto, concurso de poesia e literatura, e ainda, focar questões do cotidiano da comunidade como: saúde, transporte, segurança, esportes, etc, (MILANESE, 1986, p. 69).

    Ela deve ser uma referência de acesso à informação em todos os níveis e para todos os fins. E, como a exemplo da biblioteca pública, ser instrumento educativo e priorizar o suporte da informação ao invés da informação por si. Assim sendo, a biblioteca comunitária comete o mesmo erro da biblioteca pública, pois quando prioriza o suporte e não a informação, a biblioteca só alcança o alfabetizado, mas não o analfabeto. Para isso é preciso valorizar a informação em qualquer suporte e fazer uso de vídeos, fitas sonoras, exposições, debates, palestras, etc. Deve ainda utilizar-se de voluntários envolvidos com a capacidade de assimilação da informação na tentativa de assegurar o desenvolvimento do conhecimento.
    Stumpf (apud Almeida, 19997, p. 107) diz que bibliotecas públicas são mantidas pelo governo e servem a uma população maior, como uma cidade ou estado. As comunitárias podem ou não ser subordinadas ao governo, mas atendem a populações menores como bairros e vilas. A esta denominação (biblioteca comunitária) estabelece, também, um sentido de maior vínculo entre a biblioteca e seu público, levando a crer que ela é parte integrante da comunidade.
    Segundo Almeida (1997, p. 92) as bibliotecas alternativas devem fixar-se em três pontos: O público a ser atingido deve ser aquele que constitui as classes populares; O objetivo de trabalho deve ser a informação e, a comunidade deve efetivamente participar da definição de políticas e objetivos.
    A incorporação da informação pode trazer consigo as diversas informações utilitárias de interesse da comunidade.

    Uma característica marcante dessas bibliotecas é a aproximação do público com o responsável pelos livros, pela afinidade natural por morarem na mesma localidade. E se se promove palestras, cursos, exposições, eventos, debates, etc., propiciará atividades em grupo cujos resultados são tão ou mais importantes que as pesquisas ou consultas individuais.
    A respeito da formação dos acervos das bibliotecas comunitárias Almeida faz uma crítica pertinente:

    Freqüentemente é iniciado com campanhas de arrecadação de livros, principalmente entre os membros da comunidade. Tais campanhas não determinam critérios prévios, recolhendo livros e revistas aleatoriamente, inchando o espaço da biblioteca com materiais pertinentes e com outros totalmente inadequados sob o ângulo dos interesses da comunidade (1997 p. 118).

    Na aquisição de suportes informacionais, a biblioteca comunitária observa sua comunidade e constitui seu acervo a partir dos registros das manifestações populares dessas comunidades, manifestações artísticas ou não, como poesia, contos, filmagens de dramatização de leitura de poesia e peças teatrais ou gravação de imagem e som das reuniões de associações e documentos gerados pela comunidade e de interesse arquivistico.
    Na era do conhecimento ou era da informação, a educação é considerada como um instrumento essencial na conquista da cidadania. Mas para que a educação seja um instrumento de cidadania deve assegurar o desenvolvimento dos potenciais humanos para a autonomia moral e intelectual. E a biblioteca é uma instituição que se faz necessária nesse processo.
    A situação brasileira em relação à educação para a cidadania pode ser considerada deficitária. Primeiramente por que esse direito ainda não é garantido a todos os brasileiros, e segundo, porque a educação oferecida hoje pelo Estado, se aproxima mais da doutrinação do que da autonomia. Assim, acredita-se que a biblioteca comunitária em seu processo de construção a partir do resgate e preservação das experiências da comunidade torne-se um espaço tanto de participação como de expressão local, visando transformar os indivíduos em sujeitos autônomos. Desse modo a comunidade vai-se reconhecer nas atividades culturais desenvolvidas pela biblioteca nas práticas leitoras e em seu acervo.
    Segundo Moraes (1983, p. 65) quando a biblioteca não é constituída para o povo, pode ser popularizada, mas não é popular. Ela somente é popular quando é do povo. As bibliotecas criadas pelo poder público são repartições publicas e carregam todas as características que fizeram essas serem rejeitadas e menosprezadas pela população. Essas repartições pretendem executar serviços à população, mas se tornam estranhas a ela e conseqüentemente causam prejuízos sociais, educacionais e culturais por essa faltam. A biblioteca comunitária vem como alternativa a essas bibliotecas preenchendo tanto os espaços deixados pela biblioteca pública tais como desenvolvimento cultural e lazer, como os espaços deixados pela biblioteca escolar como auxilio à pesquisa e literatura. E por ser a biblioteca comunitária criada e mantida pela própria comunidade nada tem o Estado que ver com o tipo de acervo que possui e a ideologia de suas obras sendo a população ao entorno a própria beneficiada e permitindo assim, a verdadeira produção do conhecimento e do livre pensar
    A tentativa de fazer da biblioteca comunitária uma alternativa à biblioteca escolar e à biblioteca pública não é original. Já em 1978 a Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação em artigo de Carminda Nogueira de Castro Ferreira abordava a experiência americana no início do século XX que tentou articular estas bibliotecas no que ficou conhecido como “biblioteca conjunta comunitária”. No principio, o termo biblioteca comunitária designou “aquelas bibliotecas que atuavam junto aos segmentos mais pobres das grandes cidades principalmente em bairros periféricos”.
    A biblioteca comunitária deve oferecer, caso não haja biblioteca pública ou os serviços desta não cumpram com seus deveres, acesso livre e ilimitado ao conhecimento ao pensamento, a cultura e a informação. Este tipo de biblioteca vem criar elos entre a manifestação cultural, a educação e a comunidade. E Para isso não é preciso registro no conselho nem a contratação de um bibliotecário, com isso o acesso a essa instituição é facilitado.

    2.1 COMUNITARIA PAULO FREIRE – DUQUE DE CAXIAS

    A idéia de criar a biblioteca comunitária Paulo Freire surgiu quando um grupo de amigos começou a se reunir periodicamente na casa do Pedagogo Marcelo Sanuto em 1999 para a leitura de poesias e para discutir literatura.O nome foi uma homenagem a Paulo Freire e suas trabalho. Quanto à utilização do termo comunitária o idealizador o emprega acreditando ser justamente o termo que melhor define a aproximação da biblioteca para junto da comunidade. A biblioteca está instalada em sua casa desde de que começou a funcionar e desde então vem funcionando durante todos os dias da semana das 18:00 às 21:00h e nos fins de semana de 09:00 às 18:00h. A biblioteca, no início, contava com 300 livros e hoje são mais de 12.000, armazenados num espaço de 50m². O acervo é constituído de doações que chegam freqüentemente. A biblioteca se localiza na Rua: Quintino Bocaiúva, 119, casa nº 2. Duque de Caxias.
    Os diversos profissionais envolvidos com a biblioteca entre eles um Administrador, um Pedagogo, algumas Donas-de-Casa, dois Pedreiros e um Mecânico.
    Os objetivos traçados para a atuação da biblioteca são: buscar através da difusão da informação que o cidadão se forme, se fortaleça e que possa obter cultura e educação. A política de seleção prevê que haja critério de conteúdo e critério físico, ou seja, que ele não esteja rasurado, rasgado ou defasado. Marcelo afirmou que biblioteca não faz arrecadação de livros, os livros chegam de forma espontânea, mas o espaço já está ficando saturado. Não há nenhum tipo de tratamento com relação ao acervo.O salão de leitura não suporta muitos leitores e a iluminação é deficiente. Mas apesar de todas essas ressalvas a biblioteca é uma iniciativa de estudo em poesia e literatura.
    Os usuários da biblioteca são formados principalmente por estudantes e pessoas que estão se preparando para fazer concursos. A sugestão dos usuários é que se faça divulgação nas escolas do entorno para dar acesso aos outros que ainda não conhecem a biblioteca.
    A biblioteca procura treinar e orientar os usuários na pesquisa bibliográfica para consulta in loco ou para empréstimo. O idealizador acredita ser bom para o desenvolvimento das atividades da biblioteca fazer uso do conhecimento biblioteconômico, principalmente no que tange a referência e classificação.
    As atividades que dão incentivo à leitura ficam restritas às possibilidades de ação dos envolvidos com a biblioteca. Não há incentiva a leitura. A biblioteca não se utiliza nenhum outro meio como TV, vídeo ou Teatro para oferecer acesso
    à informação e tornar a leitura algo agradável.
    A comunidade participa voluntariamente da organização e limpeza da biblioteca. Essa atividade além de beneficiar a todos os usuários da biblioteca aproxima as mulheres historicamente excluídas do acesso ao livro que, geralmente, são quem mais se interessam por essa atividade voluntária que se tornam assim leitoras e usuárias da biblioteca.
    A utilização da biblioteca como espaço para unir a comunidade como espaço de discussão e organização social não tem sido praticado pela Paulo Freire, mas tem aplicado seu interesse na prática Literária.
    Percebeu-se que a maior preocupação da biblioteca é no auxílio à pesquisa escolar, acentuando o caráter escolarizante da biblioteca comunitária. Não foi relatada nenhuma atividade que a descrevesse como centro de informação ou centro de cultura ou como depositaria do material escrito sobre a região.
    A biblioteca não conta com nenhuma parceria para desenvolver seus projetos. Não possui nenhum tipo de investimento externo sendo somente seu idealizador quem participa das soluções financeiras para a biblioteca. Mesmo assim, a pretensão é de expandir a iniciativa para outras ruas do Bairro.

    2.2 COMUNITARIA TOBIAS BARRETO – VILA DA PENHA

    A biblioteca começou em 1998 com 50 livros. O nome é uma homenagem a Tobias Barreto possuidor da maior biblioteca particular de seu tempo. A biblioteca está localizada na Rua Engenheiro Augusto Bernachi, 130, Vila da Penha. A biblioteca funciona todos os dias da semana desde cedo até tarde da noite. O acervo está acomodado na garagem da casa de seu idealizador num espaço de 18m², com um acervo de 40.000 livros. A biblioteca conta com diversos profissionais associados, Bibliotecário, Pedreiro, Engenheiro, Policial, Médico, Professor. Todos membros fundadores.
    O objetivo da biblioteca é espalhar livros e bibliotecas e tem alcançado seus objetivos uma vez que aplica uma política única de acesso aos livros, toda pessoa pode requerer um livro e retê-lo pelo tempo que precisar. Não há registro de retirada do livro nem data para devolução. Fica a critério do requerente apurar o tempo que pretende ficar com o livro, podendo até não devolvê-lo. É realmente uma atitude voltada à distribuição de livros que, a princípio entusiasma qualquer indivíduo, mas que, num segundo momento, o conhecimento desenvolvido faz querer organizar, seja para doar, seja para consultar in loco. A partir da Tobias Barreto oito bibliotecas foram criadas inclusive uma em Moçambique.
    Não há fundo que financia a biblioteca. Os livros são todos frutos de doações. Os livros chegam com freqüência sem campanha de arrecadação. E a biblioteca não se utiliza outro meio que não o livro para oferecer acesso à informação.
    Os usuários são em geral estudantes cuja reclamação mais freqüente é sobre o difícil acesso ao acervo. No entanto, os usuários podem contar com a ajuda do idealizador para o auxilio à pesquisa. Chama-nos a atenção o abandono do conhecimento biblioteconomico e maneira empírica e pessoal na lida com os livros. A política de desenvolvimento da leitura na Tobias Barreto está intimamente ligada a distribuição de livros e não está envolvida em desenvolver a questão da qualidade da leitura.
    A biblioteca não criou um ambiente de reunião de grupos organizados, não tendo nenhum desenvolvimento organizacional da comunidade. No entanto, a biblioteca tem encontrado parceiros valiosos como a Escola Pública do bairro. Percebeu-se que a Tobias Barreto pretende atingir uma comunidade maior que aquela circunscrita no entorno à biblioteca através do incentivo a criação de outras bibliotecas comunitárias.
    A biblioteca em parceria com alguns pesquisadores lançou um Dicionário Bibliográfico sobre as pessoas mais tradicionais da Penha e A história da Penha. Mas não se tem feito Centro de Informações e/ou Centro de Cultura. Como é descrito por Almeida.

    2.3 COMUNITARIA ESPAÇO DA LEITURA – NOVA IGUAÇU

    A biblioteca foi inaugurada com a iniciativa da estudante de biblioteconomia Luciene Soares moradora da comunidade da Cerâmica em Nova Iguaçu que sob a orientação da bibliotecária e professora da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO Maura Tavares Quinhões, formaram a biblioteca. A idéia surgiu quando em agosto de 2003 Luciene desenvolvia estagio curricular no Colégio de Aplicação da UERJ percebeu que havia diferença de oportunidade entre os alunos do Colégio de Aplicação e os moradores de sua rua. Conhecedora da importância da biblioteca no desenvolvimento do estudo procurou implantar uma biblioteca com a ajuda da Associação de Moradores, da Prof. Maura Quinhões e da ONG Leitura e Ação fundada pelos moradores da comunidade para buscar recursos para a biblioteca. A biblioteca foi instalada na sede da Associação de Moradores (ACOMAR). Ocupa o espaço de 9m² com um acervo de 12.000 livros já processados. Fica localizada na Rua Gisela Urin, 110, Bairro Cerâmica no Município de Nova Iguaçu. Funciona durante a semana no horário de 8:00 as 17:00 hs.
    O termo comunitário trouxe consigo a idéia de uma biblioteca local mais próxima das pessoas uma idéia oposta a sentida pelas pessoas sobre o que seja Biblioteca Pública. A biblioteca atende quase sempre estudantes em busca de apoio às atividades nas escolas. Pretende cumprir na comunidade as funções da biblioteca pública e biblioteca escolar. A reclamação mais freqüente é quanto ao acervo, os usuários pedem livros de consulta atualizados. O hábito da leitura é incentivado através da contação de histórias. A Espaço da Leitura tem se tornado um auxiliar no estudo escolar, mas não pode atender os usuários que não sejam alfabetizados por não ter programas para os não-alfabetizados ou analfabetos funcionais.
    A idealizadora nos afirma que a participação da comunidade junto a biblioteca é grande, mas poderia ser maior se houvesse mais divulgação. Os voluntários têm se apresentado em maior número a biblioteca porque uma outra ONG instalada no Bairro oferece cursos gratuitos que a condição para frequentá-los é ser voluntário nos projetos da comunidade. A biblioteca atrai pessoas de outros Bairros, mas ainda não consegue ser um espaço de ordenação social. Ressalta-se que a diretoria da ONG é toda formada por pessoas da comunidade.
    A biblioteca tem um objetivo que é o de permitir que as pessoas da localidade tenham acesso ao empréstimo de livros. E ela tem alcançado seus objetivos na medida do possível, pois as pessoas têm podido ler tanto na biblioteca como nas suas casas. Além disso, procura orientar os usuários na pesquisa e consulta do material. Faz-se uso das técnicas biblioteconômicas como a catalogação a classificação e de referência. A Espaço da Leitura não tem se apresentado como um Centro de Informação e Centro de Cultura e Depositária da Memória local sendo o acesso ao livro sua maior contribuição a comunidade.
    A aquisição é toda constituída por doação e a biblioteca mantém uma política para a aquisição e o descarte. Duplicatas, livros muito velhos ou impossibilitados de uso são descartados. A seleção visa livros educativos didáticos e para-didáticos. O espaço é pequeno e as doações estão sofrendo um critério cada vez mais rigoroso.
    A partir da Associação de Moradores foi possível estruturar um espaço de acomodação e leitura dos livros, a Associação ofereceu o lugar para a instalação e doou móveis e material para escritório. A ONG Leitura e Ação administra a biblioteca, estas são as duas parceiras da biblioteca. E os profissionais envolvidos com a biblioteca vão desde Pedreiros, Motoristas e Donas de Casa até Universitários e Professores. Mas também a comunidade está envolvida e faz a biblioteca funcionar. Por tudo isso se acredita que a Espaço da Leitura pode servir como exemplo para a sociedade do que se pode fazer a partir do conhecimento biblioteconômico.

    2.4 O PROJETO BIBLIOTECA COMUNITARIA CANTO DA LEITURA – HORTO E VILAR CARIOCA

    O projeto teve início em 2000 quando a economista Maria Nilda se interessou pela comunidade de Rio das Pedras. A economista percebeu que não havia nenhum tipo de biblioteca na região, nem escolar, nem pública. Juntou-se a amigos e fundaram a ONG Ler e Agir e a biblioteca cujo nome escolhido a partir da idéia lúdica de cantar a leitura. A idéia do projeto é a de instalar bibliotecas em regiões carentes desta instituição com o auxílio da iniciativa privada. Então, buscaram parceiros e amigos e a primeira biblioteca desenvolvida pela ONG. Foram desenvolvidas desde então mais três bibliotecas. Todas têm o mesmo horário de funcionamento, das 10:00 às 17:00 de Segunda-feira a Sexta-feira. O projeto prevê que estejam acomodadas em espaços de aproximadamente 50m. Conta-se com o apoio de diversos profissionais, como, dois Cientistas Sociais, um Educador, uma Economista, duas Historiadoras, um Arquiteto e uma Comunicóloga.
    Já havia uma movimentação na comunidade de Vilar Carioca com arrecadação de livros e um curso pré-vestibular, foi aí que a biblioteca juntou-se a essas atividades em 2001.
    Os acervos foram adquiridos por doação e são constituídos assim: Horto possui 3000 publicações, Vilar Carioca possui 2000 publicações. Todas levam o nome de Canto da Leitura e ficam nos seguintes endereços: Vilar Carioca-Inhauma, R: 100, Sem número. Horto, R: Pacheco Leão, n º 1818. O critério de aquisição é simples, incorpora-se ao acervo todo livro em condição de uso. A iluminação e o espaço para leitura são satisfatórios.
    Os usuários são heterogêneos e a incidência maior é de estudantes. Eles reclamam do horário de funcionamento e do acervo, pois gostariam que a biblioteca funcionasse aos sábados e domingos e que houvesse gibis e jornais. Percebe-se uma característica escolarizante voltada para o apoio a escola com acervo didático.
    Os usuários contam com Oficinas e Rodas de Leitura que procuram criar a interação entre eles para ler e debater. Aplica-se o conhecimento biblioteconômico e inclusive as pessoas ligadas à biblioteca fizeram o curso de técnico em biblioteconomia na biblioteca pública do estado do rio de janeiro.
    Verificou-se que em nenhuma das bibliotecas há voluntários trabalhando, todas as pessoas são remuneradas, pois se acredita que não é possível fazer um trabalho contínuo sem remuneração. Mas procura-se desenvolver a percepção de que o bem público deve ser preservado e os usuários que participam mais freqüentemente reconhecem aquele espaço como deles e preservam. A biblioteca de Vilar e do Horto vem se tornando um ponto de encontro e de socialização cada vez mais freqüente.
    Os objetivos das bibliotecas são: estimular a leitura, disponibilizar o livro, socializar o espaço interno e o livro e afirmar a identidade local a partir da construção do acervo da memória local. Os objetivos têm sido alcançados, no entanto, o processo é continuo e em longo prazo. As Oficinas da biblioteca em Vilar Carioca geraram um livro com textos produzidos nas oficinas. E a biblioteca tem se esforçado para tornar-se um Centro de Informação e um Centro de Cultura, mas ainda está no começo de suas atividades não tendo atividades sedimentadas e periódicas. No Horto a ONG reuniu o relato dos moradores mais antigos da região e fizeram um livro que preserva a memória local.
    A biblioteca de Vilar contou com uma verba de 50.000 reais no momento de sua inauguração que a manteve durante um ano e formou toda a estrutura existente. A biblioteca do Horto obtém financiamento através do clube dos amigos da biblioteca. Sobre a administração das bibliotecas, a ONG pretende instala-las e gerenciar a implantação do projeto até a comunidade poder assumir a administração da biblioteca.
    A seleção do acervo é feita a partir da análise da idealizadora fazendo uso de conceitos elementais da aquisição de acervo. Ela afirma que não pretende ser neutra na disseminação e na constituição do acervo e que existe um objetivo na seleção do acervo, todo adquirido por meio de doações. As doações chegam por meio das campanhas de arrecadação.
    A ONG vê que ainda há perspectivas de crescimento para o projeto em outras regiões do Rio.
    As duas bibliotecas mostram-se prontas para continuar a se desenvolver e a alcançar objetivos além daqueles traçados inicialmente.

    3. CONCLUSÃO

    Através da análise dos resultados espera-se apresentar uma pequena contribuição sobre a questão da biblioteca comunitária no Rio de Janeiro, aos estudantes de Biblioteconomia e pesquisadores que desejam se aprofundar sobre esse assunto.
    A pesquisa visa instituições específicas e seu público-alvo é a população regiões circunvizinhas as bibliotecas em bairros periféricos do Rio ou de suas cidades dormitórios. Buscou-se alcançar o objetivo desta pesquisa, por intermédio dos dados colhidos por meio de entrevista com os responsáveis pelas bibliotecas.
    Verificou-se que o responsável pela biblioteca tem um relacionamento próximo com os moradores, movimentos organizados, associações e entidades existentes naquele espaço por ser ele mesmo um membro da comunidade. Confirmou-se que as bibliotecas fazem às vezes de biblioteca escolar e biblioteca pública, mas não como orienta a formação destas bibliotecas pelo conhecimento biblioteconômico, e sim, por ser a única opção de acesso a livros naquela localidade. Oferece acesso aos livros em um ambiente de estudo e consulta a partir de um acervo organizado.
    A justificativa foi demonstrada através da revisão de literatura sobre biblioteca comunitária, no sentido de se obter uma visão mais ampla e profunda do que vem a ser essa biblioteca e como ela pode com poucos recursos e alguma organização solucionar a falta das bibliotecas convencionais como equipamento de formação e cidadania. Foram consultadas publicações referentes ao assunto e, através da revisão bibliográfica pode-se perceber que o tema é ainda um campo vasto e seu desenvolvimento representa um importante fator de crescimento e desenvolvimento para a sociedade. A aplicação das entrevistas foi uma forma de ligação da teoria arrolada com a prática realizada pelas bibliotecas comunitárias. No entanto, é preciso ressaltar que a literatura que trata desse tema é ainda escassa e incipiente, assim como, os debates, discussões e reflexões.
    Os acervos de todas as bibliotecas pesquisados foram construídos a partir de doações cuja oferta é consideravelmente grande. E esse é um dos motivos que leva o idealizador da biblioteca comunitária Tobias Barreto a não ter um controle efetivo da entrada e saída de livros da biblioteca cabendo ao usuário a devolução espontânea do livro ou a retenção do livro sem nenhum constrangimento. Todas procuram ser também propagadoras de cultura oferecendo mediante as possibilidades de seus responsáveis, formas de expressão artística como a música, o cordel e a poesia. Quatro bibliotecas possuem espaço para leitura na biblioteca, somente uma não possui área pra leitura.
    A metodologia projetada foi alcançada, pois os métodos de levantamento de informações satisfizeram o objetivo.
    Percebeu-se que as comunidades estão separadas de suas bibliotecas não tendo em sua comunidade voluntários que ocupem seus diversos cargos. O Espaço da Leitura possui uma organização mais favorável ao entrosamento comunidade-biblioteca, no entanto, vale ressaltar que a idealizadora é uma estudante de Biblioteconomia. Já a Tobias Barreto possui diretoria e estatuto, mas ninguém além de seu idealizador tem ocorrido em administrar a biblioteca. A Paulo Freire é sustentada e administrada pelo idealizador e seus familiares. E, o Projeto Canto da Leitura tem uma diretoria mista que inclui membros da ONG fundadora e membros da comunidade. Somente a Espaço da Leitura permite que membros da comunidade atuem efetivamente na administração da biblioteca nenhuma das outras apresentam projetos onde membros da comunidade possam opinar e decidir qual o caminho que a biblioteca deva seguir. A biblioteca comunitária ideal poderia se apresentar numa concepção verdadeiramente cidadã baseada na participação nas decisões e atenção às necessidades da comunidade. Ter origem e gerência da comunidade. Segundo Milanese (1996, p. 43) exclui-se como exemplo a biblioteca pública devido a suas características de natureza elitista, impositiva e distanciada da comunidade e a escolar pela inexistência desta nas escolas públicas.
    Obteve-se com esta pesquisa, a análise de informações sobre modos, hábitos das bibliotecas e suas relações com a comunidade.
    Concluí-se que as bibliotecas da amostra não representam integralmente a biblioteca comunitária que a literatura descreve. Uma característica todas tem em comum, todas privilegiam o suporte à informação. Entretanto e válido ressaltar algumas sugestões para o aprimoramento dessas bibliotecas: estas devem mostrar a comunidade local o quanto a informação, a comunicação, a cultura e a educação são importantes para o aprimoramento e a formação do ser cidadão. Podem preservar os documentos produzidos pela comunidade. Ser espaço cultural para todo tipo de confraternização inclusive as reuniões com cunho político.

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    TONNIES, Ferdinand. Principios de Sociologia. Trad. Vicente Llorens. Mexico, D.F.: Fondo de Cultura Economica, 1942.

  • SUMÁRIO

    Folha de Aprovação
    Dedicatória
    Agradecimentos
    Resumo
    Abstract
    Lista de Ilustrações
    Lista de Quadros
    Lista de Tabelas
    1. Introdução
    1.1 Justificativa
    1.2 Objetivos
    1.2.1 Geral
    1.2.2 Específicos
    1.3 Hipóteses
    1.4 Metodologia
    1.5 Estruturação da monografia
    2. Interesse das organizações pelo conhecimento
    2.1 Informações x Conhecimento
    2.2 Gestão do conhecimento
    2.2.1 Histórico
    2.2.2 Conceitos e objetivos
    2.2.3 Tipos de conhecimento

    2.2.4 Conversão do conhecimento tácito em conhecimento
    explícito
    2.3 A criação do conhecimento organizacional
    3. A Intranet e os Portais Corporativos
    3.1 Gerações das Intranets
    3.2 Portais Corporativos ou a terceira geração de Intranets
    3.3 Conceitos de portais corporativos
    3.4 Benefícios do uso da Intranet e portais corporativos
    3.5 Portais corporativos divididos por níveis
    4. Fatores importantes para o sucesso na construção de um portal corporativo, serviços e funcionalidades
    4.1 Usabilidade
    4.1.1 A Usabilidade e a comunicabilidade
    4.1.2 A Interface homem-computador
    4.1.3 Testes de usabilidade e principais métodos de avaliação
    4.2 Acesso a informação
    4.2.1 Acesso a informação estruturada
    4.2.2 Acesso a informação não estruturada
    4.2.3 Categorização e taxonomia
    4.2.4 Tesauros como forma de controle do vocabulário de um portal
    4.2.5 Metadados
    4.2.6 Ferramenta de busca
    4.3 Personalização
    4.4 Outros fatores relacionados com a implantação de um portal corporativo
    5. Comunidades de prática como ferramenta para a gestão do conhecimento
    5.1. Conceitos
    5.2. Benefícios e estímulos à participação
    5.3. Desenvolvendo uma comunidade de prática
    5.4. O moderador
    5.5 Modelo para um comunidade de prática e as ferramentas de colaboração on -line
    5.6. Uso combinado das comunidades de prática e outras ferramentas do portal
    6. Considerações finais
    7. Referências