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Biblioteca comunitária: Uma alternativa entre a Biblioteca pública e entre a Biblioteca escolar
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Tipo de trabalho:
Trabalho de conclusao de curso
Dados descritivos:
Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, Rio de Janeiro, p.36 p. (2005)
Palavras-chave:
Resumo:
Aborda a questão da informação e memória em comunidades sem incentivo ao acesso à leitura e ao livro, carentes de instituições de informação e cultura enfocando suas relações de harmonia. Analisa a Biblioteca Comunitária e sua relação com o usuário. Trata a questão da acessibilidade a partir de um estudo focado na Biblioteca Comunitária, local de convergência de várias ramificações sociais. Propõe alguns objetivos a serem alcançados pela Biblioteca Comunitária descrevendo as realidades e conceitos das bibliotecas analisadas, tendo como base o universo das necessidades informacionais das pessoas dessas comunidades. Conclui que a Biblioteca Comunitária tem um papel relevante na sociedade sendo uma instituição capaz de promover a inclusão informacional, social e cultural da localidade onde ela está inserida ao assumir o papel de facilitadora entre o livro, a leitura e seu público.
English Abstract:
It approaches the question of the information and memoria in communities without incentive to the access the reading and the book, devoid of institutions of information and culture focusing its relations of harmony. It analyzes the aloofness of the public of the library of the social spaces between the group that access has the libraries and the group that this does not have exactly access and the necessity of if conquering this public space. It deals with the question the accessibility from a study direct in the community library, place of convergency of you vary social ramifications considers, then, some objectives to be reached for the community library describing the realities and concepts of some types of libraries, having as base the universe of the informational necessities of the people of this community. It concludes that the community library has an excellent paper in the society being an institution capable to promote the inclusion informacional, social and cultural of the locality where it this inserted one. When assuming the paper of intermidiary between the book, the reading and its public.
Full Text:
1. INTRODUÇÃO
O objetivo foi fazer uma descrição geral de cinco bibliotecas comunitárias e a atuação das mesmas em prol de seus usuários. As unidades foram selecionadas pela proximidade do pesquisador com os responsáveis pelas bibliotecas.
A justificativa deste trabalho está relacionada a dois fatos. O primeiro se relaciona com o desejo de conhecer mais esse tipo de biblioteca, anseio de um grupo de habitantes de um determinado lugar. O interesse em conhecer e verificar se atende a seus usuários. E ainda verificar se a biblioteca comunitária pode substituir a biblioteca pública e a biblioteca escolar.
A metodologia utilizada para fundamentar o tema escolhido foi: revisão de literatura; acessada em suportes como livros, periódicos documentos eletrônicos, sobre biblioteca comunitária e entrevista com as pessoas que atuam nas bibliotecas. A entrevista explorou dados como: ORIGEM, DESIGNAÇÃO, OBJETIVOS, ESPAÇO FÍSICO, ACERVO, USUÁRIOS, SERVIÇOS E PRODUTOS, RECURSOS: MATERIAIS; FINANCEIROS E HUMANOS e FUNCIONAMENTO. As questões para a entrevista foram formuladas a partir das referencias bibliográficas utilizadas.
Espera-se que este pequeno trabalho sirva apenas como gerador de um serviço bibliotecário útil, capaz de ser respeitado, conhecido e apoiado. Um serviço que ultrapasse a imagem da biblioteca como local só para os livros e se modifique sempre, refletindo a vontade social.
2. BIBLIOTECAS COMUNITÁRIAS
Na visão de Gil, Trautman e Gay (1973, p. 26), biblioteca comunitária é aquela de caráter popular e livre que presta serviço aos habitantes de uma localidade, distrito ou região. É sustentada com fundos governamentais ou da própria comunidade.
A biblioteca comunitária surge do desejo de uma comunidade em querer uma biblioteca próxima à sua casa. Esta necessidade de obter informação e lazer e não ter que recorrer ao centro da cidade para usufruir da biblioteca. Deve-se levar em consideração quanto a criação a distância. Uma vez que tem-se de percorrer muito para ir a uma biblioteca em qualquer cidade do Brasil. O que se percebe é um verdadeiro isolamento das comunidades marginais aos centros urbanos no que diz respeito ao acesso às instituições de cultura em especial a biblioteca.
Foram criadas como iniciativa de um indivíduo ou grupo de pessoas ligadas à comunidade. Promovem o acesso ao livro, à leitura e a informação em geral de interesse para toda a população.
A biblioteca nas periferias nasce reflexo do grupo que tem no espaço dela uma identidade. Vêm somar-se à igreja, à escola e às associações como local de interação social, perpetuação da cultura local e espaço de troca. Com a alcunha de biblioteca comunitária o que se pretende é que ela seja comum a todos no seu uso e na sua construção.
As bibliotecas comunitárias seguem a missão da biblioteca pública, que devem promover o acesso aos registros do conhecimento, o estímulo à leitura e sua interpretação através de atividades como a hora do conto, concurso de poesia e literatura, e ainda, focar questões do cotidiano da comunidade como: saúde, transporte, segurança, esportes, etc, (MILANESE, 1986, p. 69).
Ela deve ser uma referência de acesso à informação em todos os níveis e para todos os fins. E, como a exemplo da biblioteca pública, ser instrumento educativo e priorizar o suporte da informação ao invés da informação por si. Assim sendo, a biblioteca comunitária comete o mesmo erro da biblioteca pública, pois quando prioriza o suporte e não a informação, a biblioteca só alcança o alfabetizado, mas não o analfabeto. Para isso é preciso valorizar a informação em qualquer suporte e fazer uso de vídeos, fitas sonoras, exposições, debates, palestras, etc. Deve ainda utilizar-se de voluntários envolvidos com a capacidade de assimilação da informação na tentativa de assegurar o desenvolvimento do conhecimento.
Stumpf (apud Almeida, 19997, p. 107) diz que bibliotecas públicas são mantidas pelo governo e servem a uma população maior, como uma cidade ou estado. As comunitárias podem ou não ser subordinadas ao governo, mas atendem a populações menores como bairros e vilas. A esta denominação (biblioteca comunitária) estabelece, também, um sentido de maior vínculo entre a biblioteca e seu público, levando a crer que ela é parte integrante da comunidade.
Segundo Almeida (1997, p. 92) as bibliotecas alternativas devem fixar-se em três pontos: O público a ser atingido deve ser aquele que constitui as classes populares; O objetivo de trabalho deve ser a informação e, a comunidade deve efetivamente participar da definição de políticas e objetivos.
A incorporação da informação pode trazer consigo as diversas informações utilitárias de interesse da comunidade.
Uma característica marcante dessas bibliotecas é a aproximação do público com o responsável pelos livros, pela afinidade natural por morarem na mesma localidade. E se se promove palestras, cursos, exposições, eventos, debates, etc., propiciará atividades em grupo cujos resultados são tão ou mais importantes que as pesquisas ou consultas individuais.
A respeito da formação dos acervos das bibliotecas comunitárias Almeida faz uma crítica pertinente:
Freqüentemente é iniciado com campanhas de arrecadação de livros, principalmente entre os membros da comunidade. Tais campanhas não determinam critérios prévios, recolhendo livros e revistas aleatoriamente, inchando o espaço da biblioteca com materiais pertinentes e com outros totalmente inadequados sob o ângulo dos interesses da comunidade (1997 p. 118).
Na aquisição de suportes informacionais, a biblioteca comunitária observa sua comunidade e constitui seu acervo a partir dos registros das manifestações populares dessas comunidades, manifestações artísticas ou não, como poesia, contos, filmagens de dramatização de leitura de poesia e peças teatrais ou gravação de imagem e som das reuniões de associações e documentos gerados pela comunidade e de interesse arquivistico.
Na era do conhecimento ou era da informação, a educação é considerada como um instrumento essencial na conquista da cidadania. Mas para que a educação seja um instrumento de cidadania deve assegurar o desenvolvimento dos potenciais humanos para a autonomia moral e intelectual. E a biblioteca é uma instituição que se faz necessária nesse processo.
A situação brasileira em relação à educação para a cidadania pode ser considerada deficitária. Primeiramente por que esse direito ainda não é garantido a todos os brasileiros, e segundo, porque a educação oferecida hoje pelo Estado, se aproxima mais da doutrinação do que da autonomia. Assim, acredita-se que a biblioteca comunitária em seu processo de construção a partir do resgate e preservação das experiências da comunidade torne-se um espaço tanto de participação como de expressão local, visando transformar os indivíduos em sujeitos autônomos. Desse modo a comunidade vai-se reconhecer nas atividades culturais desenvolvidas pela biblioteca nas práticas leitoras e em seu acervo.
Segundo Moraes (1983, p. 65) quando a biblioteca não é constituída para o povo, pode ser popularizada, mas não é popular. Ela somente é popular quando é do povo. As bibliotecas criadas pelo poder público são repartições publicas e carregam todas as características que fizeram essas serem rejeitadas e menosprezadas pela população. Essas repartições pretendem executar serviços à população, mas se tornam estranhas a ela e conseqüentemente causam prejuízos sociais, educacionais e culturais por essa faltam. A biblioteca comunitária vem como alternativa a essas bibliotecas preenchendo tanto os espaços deixados pela biblioteca pública tais como desenvolvimento cultural e lazer, como os espaços deixados pela biblioteca escolar como auxilio à pesquisa e literatura. E por ser a biblioteca comunitária criada e mantida pela própria comunidade nada tem o Estado que ver com o tipo de acervo que possui e a ideologia de suas obras sendo a população ao entorno a própria beneficiada e permitindo assim, a verdadeira produção do conhecimento e do livre pensar
A tentativa de fazer da biblioteca comunitária uma alternativa à biblioteca escolar e à biblioteca pública não é original. Já em 1978 a Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação em artigo de Carminda Nogueira de Castro Ferreira abordava a experiência americana no início do século XX que tentou articular estas bibliotecas no que ficou conhecido como “biblioteca conjunta comunitária”. No principio, o termo biblioteca comunitária designou “aquelas bibliotecas que atuavam junto aos segmentos mais pobres das grandes cidades principalmente em bairros periféricos”.
A biblioteca comunitária deve oferecer, caso não haja biblioteca pública ou os serviços desta não cumpram com seus deveres, acesso livre e ilimitado ao conhecimento ao pensamento, a cultura e a informação. Este tipo de biblioteca vem criar elos entre a manifestação cultural, a educação e a comunidade. E Para isso não é preciso registro no conselho nem a contratação de um bibliotecário, com isso o acesso a essa instituição é facilitado.
2.1 COMUNITARIA PAULO FREIRE – DUQUE DE CAXIAS
A idéia de criar a biblioteca comunitária Paulo Freire surgiu quando um grupo de amigos começou a se reunir periodicamente na casa do Pedagogo Marcelo Sanuto em 1999 para a leitura de poesias e para discutir literatura.O nome foi uma homenagem a Paulo Freire e suas trabalho. Quanto à utilização do termo comunitária o idealizador o emprega acreditando ser justamente o termo que melhor define a aproximação da biblioteca para junto da comunidade. A biblioteca está instalada em sua casa desde de que começou a funcionar e desde então vem funcionando durante todos os dias da semana das 18:00 às 21:00h e nos fins de semana de 09:00 às 18:00h. A biblioteca, no início, contava com 300 livros e hoje são mais de 12.000, armazenados num espaço de 50m². O acervo é constituído de doações que chegam freqüentemente. A biblioteca se localiza na Rua: Quintino Bocaiúva, 119, casa nº 2. Duque de Caxias.
Os diversos profissionais envolvidos com a biblioteca entre eles um Administrador, um Pedagogo, algumas Donas-de-Casa, dois Pedreiros e um Mecânico.
Os objetivos traçados para a atuação da biblioteca são: buscar através da difusão da informação que o cidadão se forme, se fortaleça e que possa obter cultura e educação. A política de seleção prevê que haja critério de conteúdo e critério físico, ou seja, que ele não esteja rasurado, rasgado ou defasado. Marcelo afirmou que biblioteca não faz arrecadação de livros, os livros chegam de forma espontânea, mas o espaço já está ficando saturado. Não há nenhum tipo de tratamento com relação ao acervo.O salão de leitura não suporta muitos leitores e a iluminação é deficiente. Mas apesar de todas essas ressalvas a biblioteca é uma iniciativa de estudo em poesia e literatura.
Os usuários da biblioteca são formados principalmente por estudantes e pessoas que estão se preparando para fazer concursos. A sugestão dos usuários é que se faça divulgação nas escolas do entorno para dar acesso aos outros que ainda não conhecem a biblioteca.
A biblioteca procura treinar e orientar os usuários na pesquisa bibliográfica para consulta in loco ou para empréstimo. O idealizador acredita ser bom para o desenvolvimento das atividades da biblioteca fazer uso do conhecimento biblioteconômico, principalmente no que tange a referência e classificação.
As atividades que dão incentivo à leitura ficam restritas às possibilidades de ação dos envolvidos com a biblioteca. Não há incentiva a leitura. A biblioteca não se utiliza nenhum outro meio como TV, vídeo ou Teatro para oferecer acesso
à informação e tornar a leitura algo agradável.
A comunidade participa voluntariamente da organização e limpeza da biblioteca. Essa atividade além de beneficiar a todos os usuários da biblioteca aproxima as mulheres historicamente excluídas do acesso ao livro que, geralmente, são quem mais se interessam por essa atividade voluntária que se tornam assim leitoras e usuárias da biblioteca.
A utilização da biblioteca como espaço para unir a comunidade como espaço de discussão e organização social não tem sido praticado pela Paulo Freire, mas tem aplicado seu interesse na prática Literária.
Percebeu-se que a maior preocupação da biblioteca é no auxílio à pesquisa escolar, acentuando o caráter escolarizante da biblioteca comunitária. Não foi relatada nenhuma atividade que a descrevesse como centro de informação ou centro de cultura ou como depositaria do material escrito sobre a região.
A biblioteca não conta com nenhuma parceria para desenvolver seus projetos. Não possui nenhum tipo de investimento externo sendo somente seu idealizador quem participa das soluções financeiras para a biblioteca. Mesmo assim, a pretensão é de expandir a iniciativa para outras ruas do Bairro.
2.2 COMUNITARIA TOBIAS BARRETO – VILA DA PENHA
A biblioteca começou em 1998 com 50 livros. O nome é uma homenagem a Tobias Barreto possuidor da maior biblioteca particular de seu tempo. A biblioteca está localizada na Rua Engenheiro Augusto Bernachi, 130, Vila da Penha. A biblioteca funciona todos os dias da semana desde cedo até tarde da noite. O acervo está acomodado na garagem da casa de seu idealizador num espaço de 18m², com um acervo de 40.000 livros. A biblioteca conta com diversos profissionais associados, Bibliotecário, Pedreiro, Engenheiro, Policial, Médico, Professor. Todos membros fundadores.
O objetivo da biblioteca é espalhar livros e bibliotecas e tem alcançado seus objetivos uma vez que aplica uma política única de acesso aos livros, toda pessoa pode requerer um livro e retê-lo pelo tempo que precisar. Não há registro de retirada do livro nem data para devolução. Fica a critério do requerente apurar o tempo que pretende ficar com o livro, podendo até não devolvê-lo. É realmente uma atitude voltada à distribuição de livros que, a princípio entusiasma qualquer indivíduo, mas que, num segundo momento, o conhecimento desenvolvido faz querer organizar, seja para doar, seja para consultar in loco. A partir da Tobias Barreto oito bibliotecas foram criadas inclusive uma em Moçambique.
Não há fundo que financia a biblioteca. Os livros são todos frutos de doações. Os livros chegam com freqüência sem campanha de arrecadação. E a biblioteca não se utiliza outro meio que não o livro para oferecer acesso à informação.
Os usuários são em geral estudantes cuja reclamação mais freqüente é sobre o difícil acesso ao acervo. No entanto, os usuários podem contar com a ajuda do idealizador para o auxilio à pesquisa. Chama-nos a atenção o abandono do conhecimento biblioteconomico e maneira empírica e pessoal na lida com os livros. A política de desenvolvimento da leitura na Tobias Barreto está intimamente ligada a distribuição de livros e não está envolvida em desenvolver a questão da qualidade da leitura.
A biblioteca não criou um ambiente de reunião de grupos organizados, não tendo nenhum desenvolvimento organizacional da comunidade. No entanto, a biblioteca tem encontrado parceiros valiosos como a Escola Pública do bairro. Percebeu-se que a Tobias Barreto pretende atingir uma comunidade maior que aquela circunscrita no entorno à biblioteca através do incentivo a criação de outras bibliotecas comunitárias.
A biblioteca em parceria com alguns pesquisadores lançou um Dicionário Bibliográfico sobre as pessoas mais tradicionais da Penha e A história da Penha. Mas não se tem feito Centro de Informações e/ou Centro de Cultura. Como é descrito por Almeida.
2.3 COMUNITARIA ESPAÇO DA LEITURA – NOVA IGUAÇU
A biblioteca foi inaugurada com a iniciativa da estudante de biblioteconomia Luciene Soares moradora da comunidade da Cerâmica em Nova Iguaçu que sob a orientação da bibliotecária e professora da Escola de Biblioteconomia da UNIRIO Maura Tavares Quinhões, formaram a biblioteca. A idéia surgiu quando em agosto de 2003 Luciene desenvolvia estagio curricular no Colégio de Aplicação da UERJ percebeu que havia diferença de oportunidade entre os alunos do Colégio de Aplicação e os moradores de sua rua. Conhecedora da importância da biblioteca no desenvolvimento do estudo procurou implantar uma biblioteca com a ajuda da Associação de Moradores, da Prof. Maura Quinhões e da ONG Leitura e Ação fundada pelos moradores da comunidade para buscar recursos para a biblioteca. A biblioteca foi instalada na sede da Associação de Moradores (ACOMAR). Ocupa o espaço de 9m² com um acervo de 12.000 livros já processados. Fica localizada na Rua Gisela Urin, 110, Bairro Cerâmica no Município de Nova Iguaçu. Funciona durante a semana no horário de 8:00 as 17:00 hs.
O termo comunitário trouxe consigo a idéia de uma biblioteca local mais próxima das pessoas uma idéia oposta a sentida pelas pessoas sobre o que seja Biblioteca Pública. A biblioteca atende quase sempre estudantes em busca de apoio às atividades nas escolas. Pretende cumprir na comunidade as funções da biblioteca pública e biblioteca escolar. A reclamação mais freqüente é quanto ao acervo, os usuários pedem livros de consulta atualizados. O hábito da leitura é incentivado através da contação de histórias. A Espaço da Leitura tem se tornado um auxiliar no estudo escolar, mas não pode atender os usuários que não sejam alfabetizados por não ter programas para os não-alfabetizados ou analfabetos funcionais.
A idealizadora nos afirma que a participação da comunidade junto a biblioteca é grande, mas poderia ser maior se houvesse mais divulgação. Os voluntários têm se apresentado em maior número a biblioteca porque uma outra ONG instalada no Bairro oferece cursos gratuitos que a condição para frequentá-los é ser voluntário nos projetos da comunidade. A biblioteca atrai pessoas de outros Bairros, mas ainda não consegue ser um espaço de ordenação social. Ressalta-se que a diretoria da ONG é toda formada por pessoas da comunidade.
A biblioteca tem um objetivo que é o de permitir que as pessoas da localidade tenham acesso ao empréstimo de livros. E ela tem alcançado seus objetivos na medida do possível, pois as pessoas têm podido ler tanto na biblioteca como nas suas casas. Além disso, procura orientar os usuários na pesquisa e consulta do material. Faz-se uso das técnicas biblioteconômicas como a catalogação a classificação e de referência. A Espaço da Leitura não tem se apresentado como um Centro de Informação e Centro de Cultura e Depositária da Memória local sendo o acesso ao livro sua maior contribuição a comunidade.
A aquisição é toda constituída por doação e a biblioteca mantém uma política para a aquisição e o descarte. Duplicatas, livros muito velhos ou impossibilitados de uso são descartados. A seleção visa livros educativos didáticos e para-didáticos. O espaço é pequeno e as doações estão sofrendo um critério cada vez mais rigoroso.
A partir da Associação de Moradores foi possível estruturar um espaço de acomodação e leitura dos livros, a Associação ofereceu o lugar para a instalação e doou móveis e material para escritório. A ONG Leitura e Ação administra a biblioteca, estas são as duas parceiras da biblioteca. E os profissionais envolvidos com a biblioteca vão desde Pedreiros, Motoristas e Donas de Casa até Universitários e Professores. Mas também a comunidade está envolvida e faz a biblioteca funcionar. Por tudo isso se acredita que a Espaço da Leitura pode servir como exemplo para a sociedade do que se pode fazer a partir do conhecimento biblioteconômico.
2.4 O PROJETO BIBLIOTECA COMUNITARIA CANTO DA LEITURA – HORTO E VILAR CARIOCA
O projeto teve início em 2000 quando a economista Maria Nilda se interessou pela comunidade de Rio das Pedras. A economista percebeu que não havia nenhum tipo de biblioteca na região, nem escolar, nem pública. Juntou-se a amigos e fundaram a ONG Ler e Agir e a biblioteca cujo nome escolhido a partir da idéia lúdica de cantar a leitura. A idéia do projeto é a de instalar bibliotecas em regiões carentes desta instituição com o auxílio da iniciativa privada. Então, buscaram parceiros e amigos e a primeira biblioteca desenvolvida pela ONG. Foram desenvolvidas desde então mais três bibliotecas. Todas têm o mesmo horário de funcionamento, das 10:00 às 17:00 de Segunda-feira a Sexta-feira. O projeto prevê que estejam acomodadas em espaços de aproximadamente 50m. Conta-se com o apoio de diversos profissionais, como, dois Cientistas Sociais, um Educador, uma Economista, duas Historiadoras, um Arquiteto e uma Comunicóloga.
Já havia uma movimentação na comunidade de Vilar Carioca com arrecadação de livros e um curso pré-vestibular, foi aí que a biblioteca juntou-se a essas atividades em 2001.
Os acervos foram adquiridos por doação e são constituídos assim: Horto possui 3000 publicações, Vilar Carioca possui 2000 publicações. Todas levam o nome de Canto da Leitura e ficam nos seguintes endereços: Vilar Carioca-Inhauma, R: 100, Sem número. Horto, R: Pacheco Leão, n º 1818. O critério de aquisição é simples, incorpora-se ao acervo todo livro em condição de uso. A iluminação e o espaço para leitura são satisfatórios.
Os usuários são heterogêneos e a incidência maior é de estudantes. Eles reclamam do horário de funcionamento e do acervo, pois gostariam que a biblioteca funcionasse aos sábados e domingos e que houvesse gibis e jornais. Percebe-se uma característica escolarizante voltada para o apoio a escola com acervo didático.
Os usuários contam com Oficinas e Rodas de Leitura que procuram criar a interação entre eles para ler e debater. Aplica-se o conhecimento biblioteconômico e inclusive as pessoas ligadas à biblioteca fizeram o curso de técnico em biblioteconomia na biblioteca pública do estado do rio de janeiro.
Verificou-se que em nenhuma das bibliotecas há voluntários trabalhando, todas as pessoas são remuneradas, pois se acredita que não é possível fazer um trabalho contínuo sem remuneração. Mas procura-se desenvolver a percepção de que o bem público deve ser preservado e os usuários que participam mais freqüentemente reconhecem aquele espaço como deles e preservam. A biblioteca de Vilar e do Horto vem se tornando um ponto de encontro e de socialização cada vez mais freqüente.
Os objetivos das bibliotecas são: estimular a leitura, disponibilizar o livro, socializar o espaço interno e o livro e afirmar a identidade local a partir da construção do acervo da memória local. Os objetivos têm sido alcançados, no entanto, o processo é continuo e em longo prazo. As Oficinas da biblioteca em Vilar Carioca geraram um livro com textos produzidos nas oficinas. E a biblioteca tem se esforçado para tornar-se um Centro de Informação e um Centro de Cultura, mas ainda está no começo de suas atividades não tendo atividades sedimentadas e periódicas. No Horto a ONG reuniu o relato dos moradores mais antigos da região e fizeram um livro que preserva a memória local.
A biblioteca de Vilar contou com uma verba de 50.000 reais no momento de sua inauguração que a manteve durante um ano e formou toda a estrutura existente. A biblioteca do Horto obtém financiamento através do clube dos amigos da biblioteca. Sobre a administração das bibliotecas, a ONG pretende instala-las e gerenciar a implantação do projeto até a comunidade poder assumir a administração da biblioteca.
A seleção do acervo é feita a partir da análise da idealizadora fazendo uso de conceitos elementais da aquisição de acervo. Ela afirma que não pretende ser neutra na disseminação e na constituição do acervo e que existe um objetivo na seleção do acervo, todo adquirido por meio de doações. As doações chegam por meio das campanhas de arrecadação.
A ONG vê que ainda há perspectivas de crescimento para o projeto em outras regiões do Rio.
As duas bibliotecas mostram-se prontas para continuar a se desenvolver e a alcançar objetivos além daqueles traçados inicialmente.
3. CONCLUSÃO
Através da análise dos resultados espera-se apresentar uma pequena contribuição sobre a questão da biblioteca comunitária no Rio de Janeiro, aos estudantes de Biblioteconomia e pesquisadores que desejam se aprofundar sobre esse assunto.
A pesquisa visa instituições específicas e seu público-alvo é a população regiões circunvizinhas as bibliotecas em bairros periféricos do Rio ou de suas cidades dormitórios. Buscou-se alcançar o objetivo desta pesquisa, por intermédio dos dados colhidos por meio de entrevista com os responsáveis pelas bibliotecas.
Verificou-se que o responsável pela biblioteca tem um relacionamento próximo com os moradores, movimentos organizados, associações e entidades existentes naquele espaço por ser ele mesmo um membro da comunidade. Confirmou-se que as bibliotecas fazem às vezes de biblioteca escolar e biblioteca pública, mas não como orienta a formação destas bibliotecas pelo conhecimento biblioteconômico, e sim, por ser a única opção de acesso a livros naquela localidade. Oferece acesso aos livros em um ambiente de estudo e consulta a partir de um acervo organizado.
A justificativa foi demonstrada através da revisão de literatura sobre biblioteca comunitária, no sentido de se obter uma visão mais ampla e profunda do que vem a ser essa biblioteca e como ela pode com poucos recursos e alguma organização solucionar a falta das bibliotecas convencionais como equipamento de formação e cidadania. Foram consultadas publicações referentes ao assunto e, através da revisão bibliográfica pode-se perceber que o tema é ainda um campo vasto e seu desenvolvimento representa um importante fator de crescimento e desenvolvimento para a sociedade. A aplicação das entrevistas foi uma forma de ligação da teoria arrolada com a prática realizada pelas bibliotecas comunitárias. No entanto, é preciso ressaltar que a literatura que trata desse tema é ainda escassa e incipiente, assim como, os debates, discussões e reflexões.
Os acervos de todas as bibliotecas pesquisados foram construídos a partir de doações cuja oferta é consideravelmente grande. E esse é um dos motivos que leva o idealizador da biblioteca comunitária Tobias Barreto a não ter um controle efetivo da entrada e saída de livros da biblioteca cabendo ao usuário a devolução espontânea do livro ou a retenção do livro sem nenhum constrangimento. Todas procuram ser também propagadoras de cultura oferecendo mediante as possibilidades de seus responsáveis, formas de expressão artística como a música, o cordel e a poesia. Quatro bibliotecas possuem espaço para leitura na biblioteca, somente uma não possui área pra leitura.
A metodologia projetada foi alcançada, pois os métodos de levantamento de informações satisfizeram o objetivo.
Percebeu-se que as comunidades estão separadas de suas bibliotecas não tendo em sua comunidade voluntários que ocupem seus diversos cargos. O Espaço da Leitura possui uma organização mais favorável ao entrosamento comunidade-biblioteca, no entanto, vale ressaltar que a idealizadora é uma estudante de Biblioteconomia. Já a Tobias Barreto possui diretoria e estatuto, mas ninguém além de seu idealizador tem ocorrido em administrar a biblioteca. A Paulo Freire é sustentada e administrada pelo idealizador e seus familiares. E, o Projeto Canto da Leitura tem uma diretoria mista que inclui membros da ONG fundadora e membros da comunidade. Somente a Espaço da Leitura permite que membros da comunidade atuem efetivamente na administração da biblioteca nenhuma das outras apresentam projetos onde membros da comunidade possam opinar e decidir qual o caminho que a biblioteca deva seguir. A biblioteca comunitária ideal poderia se apresentar numa concepção verdadeiramente cidadã baseada na participação nas decisões e atenção às necessidades da comunidade. Ter origem e gerência da comunidade. Segundo Milanese (1996, p. 43) exclui-se como exemplo a biblioteca pública devido a suas características de natureza elitista, impositiva e distanciada da comunidade e a escolar pela inexistência desta nas escolas públicas.
Obteve-se com esta pesquisa, a análise de informações sobre modos, hábitos das bibliotecas e suas relações com a comunidade.
Concluí-se que as bibliotecas da amostra não representam integralmente a biblioteca comunitária que a literatura descreve. Uma característica todas tem em comum, todas privilegiam o suporte à informação. Entretanto e válido ressaltar algumas sugestões para o aprimoramento dessas bibliotecas: estas devem mostrar a comunidade local o quanto a informação, a comunicação, a cultura e a educação são importantes para o aprimoramento e a formação do ser cidadão. Podem preservar os documentos produzidos pela comunidade. Ser espaço cultural para todo tipo de confraternização inclusive as reuniões com cunho político.
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